Opinião

O mistério dos crimes políticos


De John Kennedy a PC Farias, Celso Daniel e agora a vereadora carioca Marielle Franco


  Por Aristóteles Drummond 25 de Abril de 2018 às 12:54

  | Jornalista


Assunto do momento entre historiadores e interessados na história contemporânea é o livro do jornalista David Talbot, Irmãos – A história oculta dos Kennedy. Nele, há indicações de que a execução do ex-presidente foi questão interna americana, e não resultado de implicações internacionais, como se chegou a noticiar, dando Fidel Castro como mentor do crime.

O livro revela, inclusive, que o irmão Robert e a viúva Jaqueline entregaram uma carta pessoal ao embaixador da então URSS, dirigida a Nikita Kruschev, afirmando que a família não considerava especulações que pudessem levar ao envolvimento da espionagem soviética no crime.

Em relação aos cubanos, as suspeitas maiores vieram justamente da oposição a Fidel, que se considerava traída com a falta de apoio dos EUA na frustrada operação da Baia dos Porcos, e da linha dura militar, que queria o bombardeamento e invasão da ilha de Fidel.

Ao visitarmos história mais longe, constatamos que levou mais de um século para se confirmar que Napoleão foi lentamente assassinado, com arsênico, na Ilha de SantA Helena, pelos carcereiros ingleses. O que foi comprovado com exames de laboratório nos cabelos do Imperador.

No Brasil recente mesmo, sobre a morte marcante na história republicana de Getúlio Vargas, chegou-se a especular como tendo sido consumada, dentro do Catete, por pessoas próximas interessadas no fim do Inquérito do Galeão, que apurava a morte do Major Rubens Vaz. E, realmente, o desaparecimento de Vargas colocou uma pedra naquela e em outras investigações. Nenhuma é claro, envolvendo o estadista que nos governou por quase 20 anos, eleito indiretamente, prorrogado com apoio dos militares e, por fim, eleito pelo voto popular.

Agora mesmo, bem recentemente, o assassinato de Celso Daniel, prefeito de São Bernardo pelo PT, com testemunhas e envolvidos mortos de maneira estranha e seguida, é cercada de suspeitas levantadas pelo irmão da vítima. Segundo este, a morte teria sido tramava pela cúpula do PT. E dinheiro para silenciar denúncias na imprensa local sobre o assunto chegou a passar por depoimentos da Operação Lava-Jato.

A morte de PC Farias, personagem central do impedimento do presidente Fernando Collor, é outro mistério. Não se fala do assunto, o irmão, então parlamentar, foi retirado de cena e os filhos do homem de um bilhão de dólares, como o próprio teria se autointitulado, levam vida modesta, em Maceió.

A Polícia do Rio e a Federal estão empenhadas em chegar aos autores e mandantes da execução da vereadora carioca. É importante, inclusive, para desestimular esta prática, infelizmente, ainda muito comum no interior do Brasil.

FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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