Opinião

O importante, o prioritário e o urgente


É importante afastar a incompetência, é prioritário descartar o radicalismo e é urgente parar de se falar bobagens presidenciais


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 22 de Maio de 2016 às 06:56

  | Historiador


A extinção e a recriação do Ministério da Cultura certamente não é um tema importante, prioritário ou urgente neste momento nacional.

A despeito disso, o assunto ocupou espaço desproporcional no noticiário durante a primeira semana do governo, com uma carga emocional que beirou a histeria.

É cedo para dizer que nessa volta ao antes o governo saiu derrotado. A levantada e a baixada de bola podem dizer tanto da habilidade política do governo Temer em driblar velhos clientelismos e oportunismos, quanto de sua ansiedade diante do cerco que a chantagem e a ideologia lhe impõem.  

É forçoso reconhecer, no entanto, que a situação do País torna difícil dizer o que é realmente importante, prioritário ou urgente fazer para tirá-lo da crise. Diante do descalabro a que o PT levou o Brasil, qualquer coisa a fazer se tornou superlativa. 

Tomemos as áreas de atuação dos ministérios do governo Temer, cuja relevância é evidenciada pelo peso específico de seus atuais titulares.

É extremamente importante para o Brasil que a sua economia volte a crescer. A mera nomeação de uma equipe econômica de reconhecida competência já provocou uma inflexão de expectativas que pode tornar real um crescimento do PIB em 2017 de 0,5%, depois de um tombo previsto de 4% para este ano.

As prioridades são tantas que é difícil dizer qual é a maior: contenção do aumento explosivo da dívida pública; estancamento da queda da receita real; equacionamento das dívidas dos estados; e a capitalização de estatais estratégicas como a Petrobrás e a Eletrobrás. 

O grande  problema é tudo isso estar permeado pelas urgências dramáticas em proceder o ajuste fiscal, deter o crescimento generalizado do desemprego e viabilizar o investimento público e privado, seja ele nacional ou estrangeiro.

Na educação, é importantíssimo aumentar a proficiência elementar dos estudantes brasileiros na leitura, escrita e matemáticas, habilitando-os a continuar a aprender e a participar dos processos de conhecimento.

Para tanto, é prioritário reformar os métodos de gestão educacional, tornando-os mais eficientes, eficazes e efetivos. Mas a urgência é chocante: é preciso resgatar as unidades educacionais, hoje tomadas por indisciplina, assistencialismo, sindicalismo e ideologia.

Para quem acha isso um exagero, sugere-se uma resenha das notícias sobre escolas no País, pautada inescapavelmente por agressão, merenda, greve, invasão e doutrinação.      

Nas relações exteriores é importante que o Brasil recupere o protagonismo internacional que por mais de meio século contribuiu decisivamente para o seu desenvolvimento.

Neste momento, isso significa prioridade absoluta da diplomacia brasileira para a busca de novas oportunidades de comércio que aliviem a estagnação que atinge todas as áreas da atividade econômica do País. 

Daí ser urgente a reorientação da política externa, em termos de meios, recursos e ações, para atender o que é importante e prioritário para o Brasil.

Mas se na economia, na educação e nas relações exteriores, como em outras áreas de governo, há uma estratificação atemporal do importante, do prioritário e do urgente, na política, de onde tudo depende, neste momento, há uma só coisa a fazer pela salvação do Brasil: colocar Dilma Roussef definitivamente fora do governo.

É importante afastar a incompetência, é prioritário descartar o radicalismo e é urgente parar de se falar bobagens presidenciais.

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