Opinião

O grande perdedor


O que realmente esse Carnaval exibiu foi o país esquizofrênico no qual nos transformamos


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 14 de Fevereiro de 2018 às 07:55

  | Historiador


Em meio a um Carnaval ideologizado e anárquico de um Brasil sem rumo e sem noção, soou como ato falho a divulgação do relatório da Situação dos Direitos Humanos na Venezuela preparado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH/OEA).

Um ato falho que foi rapidamente apagado pela vinda ao Sambódromo da indecência pornográfica do lulismo, travestido de enredo de escola de samba.

O que realmente esse Carnaval exibiu foi o país esquizofrênico no qual nos transformamos. Que está falido, em plena crise de autoridade e às voltas com a encrenca causada pelo vizinho socialista. Mas cuja folia exige dinheiro público, invade aeroporto e clama pela retomada do projeto socializante.

Tudo, claro, com ampla cobertura e tácita aprovação da grande mídia que a essa altura não tem o menor interesse em mostrar que ainda podemos ser a Venezuela amanhã. E também de uma boa ajuda lá de fora.

Afinal, treze anos de poder foram mais do que suficientes para o PT abocanhar boas posições em organismos internacionais que não se pejam em mostrar seu viés ideológico.

Como a FAO que se prestou a servir de promotora de viagem de Lula e ainda lamentou a sua ausência em um evento que não era de sua responsabilidade, mas sim da União Africana.

Ou como a CIDH/OEA que emitiu um relatório sobre a Venezuela (concluído em 31 de dezembro) somente no dia em que Temer foi a Roraima tratar da questão dos refugiados daquele país.

Um gesto depois de anos de silêncio, justamente no momento em que o Brasil tenta impedir que a crise de refugiados se transforme em desastre humanitário e a sua diplomacia se articula com outros países para pressionar Maduro a respeitar os princípios estabelecidos na Carta da OEA e na Carta Democrática Interamericana.

O relatório apresentado pela CIDH/OEA depois de 15 anos dela ter sido proibida de por os pés na Venezuela é um testemunho de omissão que pode ser tomada por cumplicidade.

Suas 258 páginas se encerram por platitudes na forma de conclusões e recomendações que não terão qualquer efeito prático para mudar, ou sequer aliviar, a situação naquele país.

Enquanto a OEA segue inerte pelo obstrucionismo dos comparsas bolivarianos da Venezuela e outros atores regionais já tratam de seus interesses  em um futuro pós-Maduro, o Brasil se limita a anunciar que vai distribuir os refugiados venezuelanos pelo seu território.

O Brasil foi o maior patrocinador do desastre na Venezuela, por conta de quatro governos criminosos.

Resta saber se o atual conseguirá impedir que ele seja o grande perdedor.

FOTO: Fernando Frazão/Agência Brasil