Opinião

O futuro se apresenta ao varejo


Mudanças radicais chegam num click entre o que já está dando sinal de desgaste e o que parece ser muito avançado para ser pensado no momento


  Por Rosa Alegria 01 de Fevereiro de 2016 às 17:54

  | Futurista, pesquisadora de tendências e Mestre em Estudos do Futuro pela Universidade de Houston, EUA


Para os que ainda pensam em deixar para o ano que vem a revisão do planejamento porque estão muito (pre)ocupados com a crise, recomendo que adiantem o calendário.

Isso poderá definir o destino do seu negócio. 

Mudanças radicais chegam num click entre o que já está dando sinal de desgaste e o que parece ser muito avançado para ser pensado no momento.

O futuro está mais perto do que se pode imaginar.  Basta fazer um exame dos ultimos tempos e lembrar do que não existia há somente 5 anos.

Drones para entregar encomendas, compartilhar fotos pelo Pinterest, o Google Glass (que veio mas não ficou), o Whats App que ninguém conhecia, a crise era a crise da Bolsa.  Tudo isso era passado até 2010. 

Sempre bom lembrar que as grandes inovações se acendem das faíscas que ainda restam das cinzas de uma crise.

É só uma questão de soprar vigorosamente e acreditar que  o melhor a fazer é pensar no tempo que resta lá na frente. Mudar o presente olhando para o futuro faz toda a diferença. Porque pensar em inovar projetando o que já foi é como pedalar sem sair do lugar.

Não há nada mais prático e recomendável do que olhar para o horizonte, ver o que existe e que ainda ninguem viu. Era isso o que Peter Drucker, mestre-guru da administração moderna,  dizia fazer quando iluminava o mundo empresarial com suas preciosas visões. 

Convido os leitores a darem uma pequena pausa em qualquer momento do dia. Acionem   o radar mental e se conectem com as mudanças que poderão reorientar a rota de seus negócios, nesse caso aqui um foco especial no setor do varejo.

Velocidade com variedade
Esse é o componente da próxima fronteira do varejo. O crescimento do comércio eletrônico tem exigido respostas complexas para atender compromissos de consumidores ávidos não só por mais velocidade como também por variedade.

Esses serão dois imperativos determinantes para o sucesso de cada empreendimento daqui em diante. Há 20 anos atrás era diferente. Serviços de entrega se comprometiam com a velocidade desde que o comerciante restringisse as opções de produtos. Hoje os compromissos ficaram mais complexos envolvendo a natureza do produto, o segmento de mercado, a sazonalidade e o posicionamento do lojista.

Compras pela realidade virtual

Estão chegando às lojas americanas dois revolucionários  “brinquedinhos eletrônicos” com base na realidade virtual: o Oculus Rift e  a PlayStationVR da Sony. 

O ambiente das lojas irá acrescentar as tecnologias da realidade virtual  e  cada loja mais arrojada poderá oferecer a quintessência de uma experiência de compra.

Estima-se que em 2018 os usuários desse tipo de tecnologia serão 171 milhões de pessoas. Já no ano passado (2015) a North Face, varejista de roupas esportivas utilizou o óculos virtual Google Cardboard, através de filmes de imersão em paraísos naturais ou cenas do velho oeste. São experiências que poderão reorientar escolhas dos consumidores, dependendo da intensidade de suas experiências virtuais.
Passeios digitais pela loja

Uma nova geração de websites de alta definição – com imagens panorâmicas – estão tornando as experiências de compra tridimencionais através do celular do tablet ou do laptop.

É o caso da start-up Avenue Imperial. Com o clique de um mouse, os clientes podem andar virtualmente pela loja, dar zoom sobre os produtos que preferem ou tirar uma foto para  conecta-los instantaneamente com o pessoal da loja sem sair de casa.

Shopping social

Sempre ajuda na decisão de compra se alguém de confiança puder opinar sobre a roupa que você quer comprar. Se cai bem, se emagrece ou envelhece, se deixa você mais sexy ou se não te valoriza.  

Várias lojas já oferecem tecnologias interativas como é o caso da rede japonesa Urban Research que permite os clientes entrarem num tipo de jogo de realidade aumentada para mapear o tamanho do corpo em relação às peças que vão vestir.

Tem também lojas que oferecem espelhos interativos para combinar cortes de cabelo, cores de maquiagem permitindo os clicks e os “selfs”. Depois é só mandar para os amigos que podem opinar ou postar no facebook. Sempre a ideia de que a experiência é o que faz a diferença

O vendedor-psicólogo

Nos próximos anos as tecnologias vão mudar a função do vendedor que, mediado pela tecnologia, deverá adotar uma abordagem muito mais personalizada do que hoje. 

De acordo com estudo da norte-americana Demand Metric, 61% dos consumidores preferem as empresas que os tratam de forma customizada e esse indice tende a crescer. 

As tecnologias vêm não para agilizar e igualar os clientes. Ao contrário, serão para fazer cada um se sentir único e respeitado em suas diferenças.  Com informações personalizadas disponiveis, o vendedor terá que ser até um pouco psicólogo.

Pagamento móvel

Pedir comida pelo smartphone e pagar pelo aplicativo em breve vai se tornar algo comum. Cada vez mais consumidores estão abraçando essa prática.

A Starbucks é um exemplo de sucesso com seu programa pioneiro de recompensas e pre-encomendas. 
Recentemente a Burger King seguiu a mesma trilha anunciando integração com pagamento digital. É também o caso da Subway que se uniu à PayPal. Quando será a vez dos supermercados?

Mudar não é fácil, mas estagnar pode ser fatal. Só com o impulso de uma crise é que encontramos força para sair do lugar. 

Uma crise, se não motiva, pelo menos empurra. O bom mesmo é decidir de forma consciente, aproveitar e mudar numa outra escala, numa oitava acima, olhando o Brasil no mundo, o mundo no Brasil, identificando oportunidades antes impensáveis, fazendo conexões nunca feitas, revendo valores do negócio, assumindo compromissos mais nobres, definindo propósitos além do lucro e reorientar a rota do barco, que poderá levá-lo  até onde  ninguém ainda foi. 

Os novos tempos permitem vôos mais altos. Afinal, você quer ser líder ou seguidor?

 






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