Opinião

O desafio da mobilidade urbana em SP


A prefeitura falhou ao correr atrás de uma meta sem se preocupar em tratar o modal cicloviário como um sistema de transporte em sua essência e com seus componentes funcionais


  Por Marcus Vinicius Ignácio 01 de Julho de 2016 às 18:16

  | É professor da Faculdade de Engenharia da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), na área de planejamento e infraestrutura de sistemas de transportes


O futuro da mobilidade paulistana está nas ciclovias ou ciclofaixas, assim como está no metrô, nos trens metropolitanos e nos ônibus. 

É louvável que a grande maioria dos paulistanos aprove a implantação das faixas de ônibus, segundo mostrou pesquisa Ibope sobre as ações da prefeitura na área de mobilidade urbana, divulgada recentemente: 92% dos paulistanos aprovam a implantação das faixas de ônibus. 

No entanto, quando se trata de outras medidas, como redução de velocidade e implantação das ciclovias, ocorre um empate técnico, tendo em vista a margem de erro da pesquisa de 4 pontos percentuais, para mais ou para menos. 

O caso é que em uma cidade em que os trilhos - duplos ou em versão 'mono' - avançam de forma morosa, resta investir maciçamente sobre os pneus dos coletivos, que ainda são a principal forma de locomoção pública da cidade.

Por outro lado, o 'empate técnico' no que tange à implantação das ciclovias deve acender a luz amarela na prefeitura.  Explica-se: apesar de bons exemplos como as ciclovias da Av. Paulista e da Av. Faria Lima, o fato é que a prefeitura falhou ao correr atrás de uma meta sem se preocupar em tratar o modal cicloviário como um sistema de transporte em sua essência e com seus componentes funcionais: vias, terminais e normativa operacional. 

Tais sistemas carecem de um bom planejamento antes de se implantarem para que o sistema funcione de forma segura e econômica. O resultado que se vê desta ausência de planejamento são relações conflituosas e por vezes perigosas entre os elementos do sistema viário que incessantemente 'se acotovelam' por um espaço cada vez mais restrito.

A mesma pesquisa Ibope nos mostra que a população não aceita ações restritivas mais duras ao automóvel, como ampliação do rodízio ou pedágios urbanos. Estes dados reforçam a tese de que o paulistano até pode estar disposto a deixar o automóvel em casa, desde que encontre formas alternativas tão ou mais seguras e confortáveis quanto seu próprio veículo.

O desafio é grande e está lançado há décadas. Falta saber se a cidade finalmente deixará de engatinhar e começará a dar os primeiros passos em direção ao futuro.






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