Opinião

O delicado momento brasileiro


É preciso que o governo atente para o fato de que a chamada espontaneidade do presidente Bolsonaro mereça uma reflexão para que seja mais contida


  Por Paulo Saab 30 de Julho de 2019 às 10:24

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


 

Estamos vivendo um momento delicado de ofensiva das forças derrotadas na eleição presidencial do ano passado contra o governo que assumiu, notadamente, maximizando bobagens que os derrotados cansaram de fazer, somando-se o barulho feito com apoio da mídia igualmente derrotada no pleito.

O objetivo é desgastar o governo Bolsonaro perante a opinião pública, no país e no exterior, além de esconder a amplitude do sistema de esquerda montado durante o lulopetismo, que está sendo desmontado.

Para quem venceu a eleição e seus apoiadores resta ter muita cautela, buscando-se discernir o que há de crítica capaz de ajudar a corrigir rumos, do ataque oposicionista meramente destruidor.

Também é preciso sabedoria para não exacerbar esse jogo de denuncismo e investigações feitas sem critério e a qualquer preço desde que atinjam os integrantes do governo.

O barulho feito pela esquerda derrotada é amplificado por todos os meios de comunicação que se posicionaram contra Bolsonaro, por definição de linha editorial ou e também, pelo corte de veras públicas que eram destinados, na era lulopetista a esses veículos, de forma abundante.

É preciso que o governo também atente para o fato de que a chamada espontaneidade do presidente Bolsonaro mereça uma reflexão para que seja mais contida, uma vez que suas declarações são sempre motivadoras de exploração pela sua oposição ainda não curada da derrota nas urnas.

A era lulopetista tinha transformado o Estado brasileiro num feudo partidário e seus integrantes maiores acreditavam piamente que iriam se perpetuar no poder, tamanha foi a infiltração que perpetraram e com a formação de caixa bilionário de recursos ilícitos desviados dos cofres públicos.

O resultado das eleições foi catastrófico para esse grupo, com a maior parte de sua cúpula enredada na justiça até o pescoço ou já presa e condenada.

A eleição de quem se posicionou direta e frontalmente contra o lulopetismo foi uma espécie de resultado natural diante de uma população estarrecida, cansada e até revoltada com os crimes cometidos pelo aparelhamento petista e seus satélites comprados também com dinheiro público.

O quadro é delicado: as esquerdas derrotadas guincham o que podem diante de qualquer fato de importância irrelevante na maior parte das vezes. A mídia que perdeu, digamos, o que tinha no período das verbas fartas, se põe de forma até sem disfarces contra tudo e todos, basta que seja emanado da atual gestão.

Muitos jornalistas perderam o bom senso e a crítica relevante, com a visão embaçada pelo ódio da vendeta.

E o novo governo, ainda naturalmente trôpego, tateando os caminhos, padece de uma orientação maior no sentido de trabalhar em silêncio, apresentando dados, números, fatos, encontrados das gestões anteriores, e produzindo sua própria diretriz de conserto ou desconserto de tudo que estava e está errado.

Sem servir, como tem feito, de alimentador dos factoides e fatos que acabam predominando perante a opinião pública e não raras vezes, sem o grau de notoriedade que lhes são atribuídos para fins políticos.

Talvez seja demais querer alterar a essência das pessoas. Mas isso se aplica a todos que estão fazendo parte do momento político brasileiro.

O que mais se vê são atitudes, declarações, provocações, acusações, que fogem ao mínimo bom senso e revelam o desejo dos grupos em litígio de representarem a si próprios e não aos interesses do país.

O lulopetismo foi derrotado por sua soberba e erros. Cabe ao novo governo, eleito para desmontar o que de errado foi feito, dar o rumo, num ambiente sereno, de reinício de construção nacional.

Da atual oposição não se deve esperar nada além de tentativa de vingança pela derrota sofrida quando já se achavam eternos donos dos brasileiros.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio