Opinião

O criptopetismo


O criptopetismo atribui ao atual governo as consequências catastróficas dos erros das administrações petistas ao longo de treze anos: desemprego, impostos extorsivos, autoritarismo centralizador e leniência fiscal


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 12 de Julho de 2016 às 13:51

  | Historiador


Com o petismo descarado em franca retirada, começa a aparecer o seu sucedâneo de oportunidade, ou melhor, de oportunismo: o criptopetismo, que é o petismo camuflado pelas falácias e mentiras adequadas ao presente ambiente político no País.

O criptopetismo exige que o governo interino de dois meses tome medidas definitivas que estanquem a crise econômica plantada por quatro administrações petistas, fingindo compungida “decepção” com a falta de determinação da atual administração em tomar medidas mais duras ou impopulares, buscando pressioná-la e inviabiliza-la. É a aposta no beco sem saída político.

O criptopetismo atribui ao atual governo as consequências catastróficas dos erros das administrações petistas ao longo de treze anos: desemprego, impostos extorsivos, autoritarismo centralizador e leniência fiscal.

Dissipa os sinais positivos que já começam a surgir na economia, procurando substitui-los por uma urgência que os governos petistas ignoraram solenemente nos últimos anos. É caradurismo mesmo.  

O criptopetismo, aqui de maneira bem menos disfarçada, ensaia a volta a um argumento que foi fortemente rejeitado pela população: a Lava Jato é a causa da estagnação econômica do País, apelando à velha técnica petista de misturar causas e efeitos para descaracterizar responsabilidades e empurrar goela abaixo da população uma versão dos acontecimentos útil aos seus objetivos.

É Lula se preparando para gritar que não houve petrolão, como berrou que não houve mensalão. Pelo que o criptopetismo propala, deduz-se o que o petismo quer.

Não se trata de salvar os ideais do PT, as suas bandeiras e compromissos históricos com a classe trabalhadora.

Se fosse esse o objetivo do petismo - diante da evisceração que expôs a corrupção que nele se entranhara – não haveria a dissimulação moral e a trapaça intelectual dessa melíflua cantilena, mas sim a franqueza e a coragem de uma prestação de contas: pelo rompimento com os crimes denunciados e apurados pela Justiça, pelo anúncio de uma nova agenda de esquerda comprometida com a ética e a moral e pela depuração de quadros e métodos condenáveis e condenados do partido.

Nada disso. A um petismo que não consegue assumir os enganos que o venceram, parece que não restou outra coisa senão disfarçar-se para fugir.

Fuga inútil essa, pois não há como o criptopetismo esconder o PT das consequências de seus atos, e tampouco de si mesmo.

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