Opinião

O caminho da grandeza


Na educação nunca existiu interesse em realizar um grande projeto nacional, voltado para um período de duas décadas, alfabetizar e dar conhecimento ao grosso da população


  Por Paulo Saab 25 de Junho de 2020 às 14:41

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Bato nessa tecla há anos e não sei quanto tempo mais vai ser preciso para que o Brasil, como um todo, tome consciência de que seu caminho para se tornar desenvolvido e mais igualitário, de fato, é a Educação.

A tese não prospera porque o mundo político pátrio é dominado, ainda, por grupos, famílias, corporações, oligarquias, partidos, toda sorte de organizações, até criminosas, a quem interessa manter a massa da população na ignorância, na miséria e na dependência de “pequenos favores” com o uso da máquina pública.

Quando o poder público quer, ele faz. Vejam o exemplo das estradas miseravelmente mantidas no caos durante décadas na região norte, mesmo sendo escoadoras de produção, pelo desinteresse dos governantes.

Enquanto é bombardeado politicamente por interesses igualmente mesquinhos de poder dominação, o governo atual tem asfaltado e entregue rodovias que facilitam a vida dos motoristas, dos produtores, e do país, pois a economia anda sem atoleiros.

Na educação nunca existiu interesse em realizar um grande projeto nacional, voltado para um período de duas décadas, alfabetizar e dar conhecimento ao grosso da população.

Nunca existiu porque uma população alfabetizada, estimulada a entender o que lê, com conhecimento, pensa, e pensando, discerne e discernindo não vota na maioria dos candidatos que se apresentam. Nem se organizam para mostrar insatisfação e cobrar resultados.

Fora também o fator de ser um segmento de importância capital na dominação. Cobiçado e tomado pelos governantes e políticos socialistas, o setor foi transformado numa espécie de aparelho ideológico e político onde a preocupação determinante não é  dar condições para a maioria subir na escada do conhecimento, do aperfeiçoamento, da capacitação, mas a de formar militantes para criar massa de manobra estudantil e depois profissional e política, capaz de implantar o socialismo no país.

Isso explica por que o ódio das esquerdas e a perseguição contra o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, que ousou iniciar o desmonte da corporação ideológica que domina o enorme segmento educacional do país, em favor de sua causa própria.

Mas este é um detalhe de momento. A questão da Educação está atrofiada e sem projetos nacionais, suprapartidários, de engajamento do país todo, e não se pode prever se isso virá a se realizar.

No nível de mesquinharia política da quadra nacional, não vislumbro espaço para isso.

Fora a vaidade. Propus algo semelhante há uma década e meia, numa reunião de organizações sociais da área, onde eu representava uma delas, na presença de nomes que frequentam as colunas sociais, econômicas (e algumas depois policiais) e a ideia não prosperou porque cada um queria que sua organização liderasse o processo de formatação desse grande projeto nacional. Um horror.

Insisto na tecla: o Brasil precisa de um grande projeto nacional que arrebate toda a sociedade, sem vieses de disputa ou manipulação, para num prazo de duas décadas, acima de governos, dar um salto qualitativo que o empodere a disputar não só Copa do Mundo de futebol e outros esportes, mas prêmio Nobel em série.

O pior, é que depois de certa idade, nem me permitir ser romântico quanto a isso, posso mais.

 

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