Opinião

O Brasil, por quem segue Gramsci


Muitos dos problemas que o Brasil vive hoje decorrem dessa busca da hegemonia cultural e intelectual, e do domínio das liberdades individuais pelo aparato estatal.


  Por Paulo Saab 31 de Maio de 2021 às 17:28

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


São raras as pessoas, fora dos meios intelectuais e políticos (e mesmo neles) que, no Brasil, ouviram falar ou sabem algo sobre Antônio Gramsci.

Foi uma das referências do pensamento de esquerda no século 20, co-fundador do Partido Comunista Italiano e defensor da hegemonia cultural, como forma de “lavagem cerebral” para conscientizar as massas.

Quem não pesquisou um pouco sobre sua vida, e o que escreveu como intelectual de esquerda, nem imagina que suas noções de pedagogia crítica e instrução popular foram teorizadas e praticadas décadas mais tarde por Paulo Freire no Brasil.

Quem defende o sistema de ensino de Paulo Freire, venerado pela esquerda brasileira, sabe o que está fazendo: a hegemonia da formação intelectual dos jovens, com a mentalidade de que o estado é a solução, e o poder deve ser totalitário. Essa é a base da educação que vigorou e ainda vigora no Brasil onde a esquerda tem o poder.

O sentido de tudo, para essa linha de pensamento impositiva, é o “coletivo”. Gramsci acreditava em uma tomada do poder que fosse precedida por mudanças de mentalidade. Os agentes principais dessas mudanças seriam os intelectuais, e um dos seus instrumentos mais importantes para a conquista seria a escola. 

Quem se aprofundar um pouco mais em conhecer suas teorias descobrirá porque o ensino no Brasil perdeu a essencialidade da exaltação dos valores individuais, e a figura da brasilidade foi sendo descontruída para vigorar na mente dos jovens estudantes a lavagem cerebral da predominância do coletivo. Da superioridade do estado sobre a liberdade de cada um.

Muitos dos problemas que o Brasil vive hoje, das distinções e divisões criadas na vida nacional, decorrem dessa busca da hegemonia cultural e intelectual e do domínio das liberdades individuais pelo aparato estatal. Este, claro, controlado por iluminados que vão determinar o comportamento e os valores da toda uma população.

Assim o Brasil teve seu sistema de defensa de liberdades e ensinamento às suas crianças de valores baseados nas ações individuais voltadas para o bem estar de todos, trocado por uma imposição de valores coletivos sedimentados na vontade de quem controla o estado - ainda que para isso seja preciso usar a força.

A base dessa “conquista” é a dominação intelectual. Por isso as esquerdas se infiltraram nos governos em que estiveram no poder nas escolas, universidades, no jornalismo, na área artística, ou onde haja forma de expressão de mentalidade e formação intelectual.

O objetivo de promover os valores coletivos e anular a individualidade é essencial. Isso se faz, na teoria gramcista, pelo controle de todas as atividades ligadas ao intelecto, e com uma nova mentalidade se promove a revolução de dentro para fora do conjunto da nação.

Tudo isso começa a fazer sentido para quem vê o Brasil hoje dividido, e em parte ainda dominado, ficando mais fácil para as pessoas que acreditam nas liberdades intelectuais, de valores, de pensamento, de empreender, de viver sem a tutela do estado, entenderem como o lulopetismo e seus satélites, que ainda orbitam a vida nacional, agiram e agem para tentar voltar ao poder: para retomar a “obra” que vinha executando para tornar o Brasil um país controlado pelo pensamento único, dito coletivo, onde alguns privilegiados ditam à maioria o que fazer e como fazer.

Nem é preciso mencionar aqui o nível assustador de assalto aos cofres públicos para usar o dinheiro desviado na construção e manutenção do esquema de dominação. E no enriquecimento ilícito de seus participantes de cúpula, porque ninguém é de ferro.

A infiltração havida no país, contra a qual luta a maioria da população que elegeu um governo para afastar do poder esse sistema de dominação e corrupção, foi tão longe - embora não tenha conseguido avançar mais pela perda do poder -, que hoje sabota e tenta de todas as formas derrubar um governo legítimo eleito pelo povo, mas que não compactua com o marxismo e o gramscismo.

Explica-se assim, sem mencionar novamente os bilhões de reais dos cofres públicos que alimentavam - e em parte, ainda alimentam -, a subversão dos valores libertários do ser humano em nosso país.

O STF, o Congresso Nacional, governos estaduais, Assembleias Legislativas, prefeituras, Câmaras municipais, órgãos dos três poderes, a imprensa que foi “comprada” com vultosas verbas de dinheiro público (quanto de escuso?), as universidades, escolas públicas, artistas, enfim, os setores “intelectuais” preconizados por Gramsci como agentes da revolução pela mudança da mentalidade de dentro para fora, estão empenhados, agindo, tentando, impedir que o Brasil seja reoxigenado pelos ares da dignidade, da decência e da verdadeira liberdade de sua gente.

Por isso esse ar de guerra. E suja, no ar. 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio






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