Opinião

O Brasil não pode parar


Está faltando um pacote de coragem e audácia para destravar a economia. Algumas boas ideias circulam, mas não prosperam


  Por Aristóteles Drummond 09 de Setembro de 2015 às 12:38

  | Jornalista


A área econômica do governo, estando à frente o ministro Joaquim Levy, sabe o que fazer sob o ponto de vista técnico no enfrentamento dessa crise grave e de muito difícil saída em curto ou médio prazo.

Este ano está perdido e o próximo também. Mas o governo, a começar pelo ministro Levy, precisa saber selecionar prioridades para que o descrédito do Brasil, interno e externo, não seja agravado.

As medidas devem ser iniciadas pelo Rio de Janeiro, onde a pauta de investimentos é grande e de repercussão internacional. Não pode faltar liberações  ligadas às Olimpíadas de forma alguma.

E mais: dois projetos se impõem como prioritários, o COMPERJ e as obras na Washington Luís, duplicando a subida da serra. Esta vem diminuindo seu ritmo e o BNDES precisa liberar R$ 400 milhões até o final do ano. Afinal, é a ligação do Rio com Belo Horizonte e Brasília, parte do Nordeste.

Alguns deputados do Rio, como Hugo Leal e Júlio Lopes, votados na região, já atuam em Brasília, cobrando o cumprimento do tratado. A concessionária, CONCER, não parece muito interessada, uma vez que o atraso nas liberações, por cláusula contratual, prorroga automaticamente sua permanência no trecho, cuja subida está cheia de remendos incompatíveis com o pedágio cobrado.

Outra providência elementar seria a liberação das verbas do Ministério das Relações Exteriores para pagamento de compromissos internacionais, desde contas das embaixadas e consulados, ao pessoal local, e aos próprios organismos internacionais.

O Brasil deve a entidades como ONU, FAO, CPLP e outros. Um vexame para um país que arranja dinheiro para financiar Cuba e Venezuela, cujo retorno é questionável.

Está faltando um pacote de coragem e audácia para destravar a economia. Algumas boas ideias circulam, mas não prosperam. Prorrogar as concessões das usinas elétricas por cinco anos depende apenas de papel e caneta.

Acabar com o imposto sobre ganhos de capital no mercado acionário poderia abrir novos canais de financiamento para nossas empresas de capital aberto, assim como diminuir o percentual sobre dividendos, por muitos considerado  bitributação.

Para facilitar o investimento gerador de emprego, inibido por decisões do judiciário de assustar qualquer poupador, bastaria alterar poucas coisas nas leis trabalhistas. Aliás neste sentido se pronunciou em entrevista à Folha de S.Paulo o banqueiro Roberto Setúbal.