Opinião

O astral está melhorando


Embora ainda com certa timidez, pois nem a Reforma da Previdência está concluída e a tributária sequer foi encaminhada, percebe-se movimentos de melhora no ambiente de negócios, com articulações preparatórias de um processo de retomada de investimentos não financeiros


  Por Aristóteles Drummond 26 de Setembro de 2019 às 10:19

  | Jornalista


Os formadores de opinião descomprometidos ideologicamente – empresários, líderes de classe, políticos e jornalistas – começam a crer que a incontinência verbal do presidente e alguns de seus próximos não afeta as iniciativas positivas que vem tomando. Nem o consenso em torno do projeto de reerguimento nacional ousado, corajoso e realista do ministro Paulo Guedes.

Embora ainda com certa timidez, pois nem a Reforma da Previdência está concluída e a tributária sequer foi encaminhada, percebe-se movimentos de melhora no ambiente de negócios, com articulações preparatórias de um processo de retomada de investimentos não financeiros, tão logo afastados os entraves nas contas publicas e a legislação trabalhista e ambiental hostil ao empreendedor.

O que interessa ao país, e certamente ao governo, não é o controle da inflação e o nível das reservas apenas, que são importantes. Mas sim o ingresso de capitais com tecnologia na indústria, agricultura, comércio e serviços.

Há décadas, deixamos de ser destino de investidores, sendo o país considerado avesso ao investidor. O que nos chega, e pode impressionar pelos números, é em função do nosso mercado interno. Só nós podemos pagar pelo Custo Brasil, nas leis trabalhistas, nos impostos, nas falhas na infraestrutura e seus gargalos.

Completar a remoção do entulho estatizante e controlador, e da burocracia inacreditável para uma economia de nosso porte, vai tornar a expectativa em realidade. E a retomada das obras de portos, estradas e ferrovias, com participação privada, vai animar o crescimento.

É preciso que estados e municípios – e a União, é claro – percebam que é preciso um programa de emagrecimento de quadros, mesmo que não de imediato, mas de cortar custos de pessoal que estão fora do desejável. Os anos pós-85 registram, em todos os níveis, assustador aumento de pessoal e gastos inexplicáveis com as famosas ONGs, que de “não governamentais” só tem mesmo o nome.

Os números ainda são tímidos, mas o astral tem melhorado muito. A chama da esperança permanece acessa.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio