Opinião

O ano que poderia ter sido melhor


O Brasil perdeu quase todo o ano para aprovar a Reforma da Previdência, que era consenso da sociedade. As atenções do governo foram desviadas para as demais reformas. Muitas propostas foram derrotadas


  Por Aristóteles Drummond 23 de Dezembro de 2019 às 12:46

  | Jornalista


O ano que finda tinha tudo para ser o melhor dos melhores, mas, infelizmente, membros do Judiciário e do Legislativo não souberam interpretar ou não quiseram atender ao recado das urnas, em outubro do ano anterior. E o Brasil perdeu quase todo o ano para aprovar a Reforma da Previdência, que era consenso da sociedade.

Com isso, as atenções do governo foram desviadas para as demais reformas. Estas chegaram agora e o Congresso, nada pautou. Muitas propostas altamente positivas do presidente foram derrotadas por mera implicância política, inclusive com vetos derrubados.

O Judiciário, via STF, enfrentou o clamor nacional em favor das ações contra a corrupção, em decisão inacreditável de atender aos corruptos de sucesso, que podem pagar bons advogados e permanecerem impunes até o final de seus dias. Ou no aguardo de novo reexame do Supremo que os anistie por terem cometidos “crimes eleitorais”. O Congresso, por sua vez, procrastina a definição da segunda instância, alheio à vontade do povo apesar dos esforços de admiráveis parlamentares das duas casas.

O governo acertou na formação da equipe por critérios técnicos, obtendo o reconhecimento nacional pelo desempenho de pastas importantes como a Economia, Infraestrutura, Minas e Energia, Saúde, Ciência e Tecnologia. Mas deixou a desejar pelas polêmicas que imperaram pelas escolhas de elementos sem o mínimo de atenção para o peso das palavras e opiniões dadas por um ministro de Estado. E a falta de tato ao lidar com áreas sensíveis, como a cultura. Desarmar o aparelhamento e dar novos rumos é uma coisa; colocar pessoas inexperientes e grosseiras é outra. E afastar funcionários de carreira, apolíticos, provoca desgastes desnecessários, como no caso da Biblioteca Nacional.

Os governadores mais importantes parecem que foram apanhados de surpresa com as vitórias eleitorais e perderam a cabeça. Os do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e de São Paulo, João Doria, aparentemente preparados para uma boa gestão, entraram logo na corrida presencial que se dará em 2022. Outros, como o de Minas Gerais, Romeu Zema, perplexo, se limitou a dar o tom liberal e austero ao governo, mas, em termos de resultados práticos, pouco fez. Sucesso mesmo são os de Goiás e Rio Grande do Sul.

Claro que o ano marcou uma saudável mudança no trato dos assuntos públicos, mas poderia ter sido melhor, com mais humildade e solidariedade aos que sofrem por Parte dos poderes que parece não terem assimilado o recado das urnas. O voto não foi em Bolsonaro, foi na mudança que ele representou. Contra corrupção, a demagogia e os equívocos ideológicos que nos levavam para um regime tipo Venezuela.

FOTO: Pixabay