Opinião

O 9 de Julho de hoje


Para a maioria da população - especialmente os mais jovens -, o 9 de Julho hoje é só um feriado. Mas precisamos lembrar que ele simboliza o brutal esforço dos paulistas em busca de uma nova Constituição e de abertura democrática


  Por Alencar Burti 09 de Julho de 2018 às 15:15

  | Presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp)


São Paulo comemora, dia 9 de julho, 86 anos do início da Revolução Constitucionalista de 1932, quando o estado se rebelou contra o regime ditatorial do presidente Getúlio Vargas. Este, afastando-se do compromisso liberal que o conduziu ao poder, passou a impor sua vontade à nação. Não bastasse cercear a liberdade dos cidadãos, impôs a São Paulo um interventor contrário aos desejos e interesses do povo paulista para mostrar autoridade e humilhar as lideranças do estado.

Para a maioria da população - especialmente os mais jovens -, o 9 de Julho hoje é só um feriado. Mas precisamos lembrar que ele simboliza e marca o brutal esforço dos paulistas no Movimento Constitucionalista de 32, em busca de uma nova Constituição e de abertura democrática. Temos orgulho de contar que a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) participou da organização da revolução. Entre os líderes do movimento estava Carlos de Souza Nazareth. Bacharel em Direito e filho de um comerciante tradicional que participou da fundação da associação, ele era o presidente da ACSP em 1932. Mesmo jovem, assumiu posição de destaque na defesa da volta à normalidade democrática.

A ACSP mostrou que as associações não apenas congregam empresários na defesa de interesses econômicos, mas fazem a diferença na vida política, econômica e social de suas comunidades, seu estado e seu país. Lutaram pela redemocratização do Brasil e pela autonomia de SP para gerir seus destinos. Manifesto das entidades paulistas lideradas pela ACSP pediram “a restauração do regime constitucional, mediante a decretação imediata de uma nova lei eleitoral que assegurasse a moralidade e a verdade do sufrágio e consequente convocação de uma Constituinte em moldes liberais, de acordo com o sentimento público, com as tradições nacionais e com o grau de adiantamento da civilização brasileira”.

Na medida em que malogravam os esforços para um entendimento com o governo federal, as associações entraram decididamente no Movimento Constitucionalista não apenas na mobilização, mas na congregação de empresários, na arrecadação de recursos, no alistamento de voluntários e na organização da logística. A ACSP coordenou ainda a Campanha Ouro para o Bem de São Paulo, que arrecadou fundos para financiar a luta dos paulistas pela Constituição. As associações comerciais paulistas se tornaram postos de alistamentos de voluntários e centro de coleta de donativos ? e também colaboraram com a logística do suprimento das tropas.  

Embora derrotado no campo de batalha, SP se viu vitorioso com a instalação da Constituinte em 1934; esta, infelizmente, durou pouco. Carlos de Souza Nazareth, no entanto, por ter assumido a responsabilidade pela participação da classe empresarial no movimento, foi preso, levado ao Rio de Janeiro e deportado junto com outros líderes paulistas.

O 9 de Julho de hoje precisa resgatar o legado cívico daqueles que combateram em 1932, lutando para restabelecer princípios e valores. A grande luta que os paulistas ? e os brasileiros ? irão travar em 2018 não será nos campos de batalha: será no plano eleitoral, apoiando candidatos comprometidos com a democracia, a livre iniciativa, os valores morais, a austeridade fiscal, a redução do tamanho e do intervencionismo estatal e a diminuição das desigualdades. Este apoio não pode ser apenas retórico, mas sim implicar em um engajamento efetivo a favor dos que, por sua história e compromisso, possam levar o Brasil ao desenvolvimento econômico e social que almejamos e pelo qual estamos dispostos a lutar.