Opinião

Mudou o jogo


A ascensão de Bolsonaro mudou de futebol para vôlei. São outras regras, outra forma de escalação da equipe, mudança total da forma de jogar


  Por Paulo Saab 08 de Junho de 2019 às 16:28

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Tenho usado com meus leitores e amigos a figura da biruta do vento, nos aeroportos, para explicar o que aconteceu no Brasil a partir da eleição de Jair Bolsonaro para presidente da República. O vento mudou de direção e a biruta agora aponta no sentido oposto. A mudança em si já é fato para ser comemorado na medida em que o vento anterior estava levando país para um caos incalculável.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em conversa reservada com um grupo de empresários em São Paulo, nesta sexta-feira (7/06), usou um outra figura de linguagem que desenha melhor como está o Brasil do momento pata quem ainda não entendeu ou não quer entender.

Segundo o ministro, o que mudou não foi o governo apenas. Foi o jogo político que se joga no país desde a gestão de José Sarney, seguido por Collor, Itamar, FHC,Lula e a estocadora de ventos.

Jogava-se no país, explica Salles, um jogo de futebol onde só se mudavam as camisas dos jogadores nas disputas eleitorais. Todo o sistema seguia o mesmo, com alteração dos jogadores.

A ascensão de Bolsonaro mudou o jogo de futebol para vôlei. São outras regras, outra forma de escalação da equipe, mudança total da forma de jogar.

Enquanto o próprio governo, com jogadores escalados de alta qualidade técnica ainda se adaptam na organização da equipe, com tropeços naturais, sem que nenhum escândalo tenha ocorrido em quase seis meses de governo, há quem ainda continue jogando futebol e desejando que assim permaneça, enquanto o time do governo joga vôlei e não vai  ,em hipótese alguma, voltar ao futebol que até então vigia no comando do país.

Mais claro impossível.

Qualquer observador isento da cena nacional verá este cenário. Identificará os focos de resistência às mudanças, não das regras do jogo, mas do jogo em si.

Voltando à biruta inicial : nos governos anteriores, notadamente do lulopetismo, qualquer vento soprava para a esquerda, na alimentação e prorrogação eterna de um sistema (jogo de futebol) onde os interesses dos jogadores e seus times (partidos e/ou grupos) se sobrepunham aos do Brasil. A prioridade do vento (a ser estocado?...) era a perenidade dos times e jogadores que usufruíam do sistema há quase meio século.

O vento mudou de direção e a biruta virou para o lado da liberdade em todos os seus sentidos, inclusive, de empreender, de comunicação (sem “controle social da mídia” e outros eufemismos totalitários de quem jogava futebol).

Com o novo jogo , e com a biruta apontando outra direção, agora é o colunista quem palpita, a gritaria de quem viu seu jogo de interesses interrompido, tem se sobreposto à necessidade de ajuste e modificações decorrentes de ser vôlei e não mais futebol.

Quem perdeu os privilégios que detinha no formato anterior faz ,com o apoio da mídia que perdeu a teta de ouros dos cofres públicos patrocinadores (BB,CEF,Petrobrás, BNDEs, além da própria máquina do governo federal) um movimento de falta de ação ou resultados do governo Bolsonaro. Só que o novo governo está sacando a bola e os antigos “players” estão querendo bater tiro de meta.

Esse é, de forma simples e desenhada, o momento que o Brasil vive.

De um lado, o grupo majoritário da Nação que venceu as eleições para afastar o lulopetismo do poder(e dos cofres públicos assaltados) e de outro, os derrotados que se serviam (naquele jogo de espoliação) dos recursos da Nação em favor de si próprios.

E como fazem barulho. São bons nisso. Destruir sem nada construir. Acusar, como mandavam as regras de Lênin, no seu oponente tudo que você faz.

Fica claro, portanto, que ainda está em andamento a freada de arrumação, do próprio governo dentro do novo time e do novo jogo, e do Brasil inteiro, para adequar-se  onde a espoliação política e da banda podre do empresariado e corporações, ficou fora da escalação.


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