Opinião

Mídia, a “afasta-rodinha”


A perda da medida da crítica, e sua troca pelo ódio espumante nas notícias, está tirando a credibilidade já frágil da mídia tradicional


  Por Paulo Saab 27 de Janeiro de 2021 às 14:28

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


"A mídia hoje em dia parece aquela chata fofoqueira que espalha rodinha".

O comentário de atenta observadora da cena nacional, ao ouvir mais uma crítica pesada ao governo federal, em assunto de menor importância, foi mais um desabafo.

"Ninguém aguenta mais. É tanta crítica, tanto exagero, tanta barra forçada na interpretação dos fatos, que ninguém liga mais."

A população brasileira que tem discernimento, se o comentário acima for representativo de seu pensamento, está ficando cansada da campanha sistemática com que jornais, rádios, televisões, revistas e algumas mídias sociais, martelam dia e noite a cabeça do povo.

Aparentemente sem resultado porque por onde passa Bolsonaro é tratado como ídolo, ou mito, para irritação de seus opositores. Todos, indistintamente, sofrendo a crise de abstinência do fechamento dos cofres públicos.

"Quando houver algo importante a população estará exausta da campanha difamatória potencializada pela chamada mídia, que não se sensibilizará.”

A verdade é que ler jornais, revistas, ver televisão, ouvir emissoras de rádio, tornou-se um penoso exercício de autoflagelação dos incautos. A perda da medida da crítica e sua troca pelo ódio espumante nas notícias, está tirando a credibilidade já frágil da mídia tradicional a caminho da extinção pelas novas tecnologias.

Essa atuação "espalha rodinha" só acelera o processo"

"Será possível que ninguém faz uma coisa boa? É só desgraça e crítica o dia todo. A maioria em cima de bobagens", diz a arguta observadora.

Caso o governo atual não tivesse cortado as verbas públicas para mídia, artistas, ONGs, Centrais Sindicais, até OAB, o comportamento seria o mesmo?

É evidente que os mesmos que sabem discernir enxergam também os problemas do governo Bolsonaro. E não são poucos, a começar da irreverência e da incontinência verbal do próprio presidente.

Até por isso os exageros persecutórios (alô Odorico Paraguaçu) de veículos como a Folha, Estadão, Veja, todo o sistema Globo, e outros de menor importância, mas que fazem parte do grupo de viúvas das verbas fartas do tempo do lulopetismo, uma espécie de cala boca da mídia, acabam se tornando círculo vicioso. Perdem credibilidade por representar oposição ostensiva e destrutiva.

Aliados na derrota, como a maioria do STF, os presidentes da Câmara e do Senado (que vão embora agora dia primeiro) e alguns parlamentares seguidores da seita lulopetista e satélites, e, ainda artistas que perderam a boquinha milionária na Lei Ruanet, confederações, sindicatos, se uniram também no discurso tonitruante que transformou o noticiário (nacional e internacional) num Diário-das-Más-Notícias-Mesmo-que-Fabricadas-ou- Distorcidas.

Com isso tudo, em muito que possam ter razão, esses agentes da busca da desestabilização do governo, perdem razão e até foco. Revezam-se num festival de bobagens acionando o aliado (tipo o irmão mais forte para bater no menino da rua de cima) STF. Este por sua vez, vaidoso, empombado e devendo a quem os nomeou, perde-se no ridículo de dispensar a honra que sempre cercou a corte, para se entregar ao festival bacante de brincar de deus e destruir a imagem individual e coletiva daquela que um dia foi respeitada como a mais alta instância jurídica do país. Hoje é objeto de chacotas e, nenhum, repito, nenhum, de seus integrantes, ousaria passear a pé as três da tarde no Viaduto do Chá sem um exército de seguranças.

Esse caleidoscópio de incivilidade acontece em meio à uma pandemia que tem servido de bandeira e motivação para uma absurda guerra ideológica, política, onde os mesmos grupos afastado$ do poder utilizam a situação para gerar caos.

Não sou dono da verdade. Assim que vejo. E até hoje ninguém teve argumentos sólidos que não fossem propaganda, frases feitas, ou ódio eleitoral, para mudar meu modo de ver. E sou dócil diante das evidências.

Sequitur uita.

 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio






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