Opinião

Manipulação do jornal "O Globo" ultrapassa os limites


Editorial do matutino ignora os evidentes malfeitos do PT e exorta a oposição a ser submissa à presidente da República


  Por Rodrigo Sias 11 de Agosto de 2015 às 16:27

  | Mestre em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro


 

Na última sexta-feira, dia 7 de agosto, fomos “surpreendidos" com um enlouquecido editorial do jornal "O Globo". (Leia aqui). Um desavisado que lesse o editorial pensaria ter sido o texto vindo diretamente da página do PT na internet ou quem sabe do site vermelho.org.

Mas não. As obscenidades quase pornográficas vieram escritas nas páginas do tradicional jornal carioca.

Basicamente, concluímos que não há mais nenhuma diferença entre "O Globo" e o "Brasil 247", este último, um jornal on-line, sujo, a soldo do petismo, pago provavelmente – conforme evidências das investigações da Operação Lava-Jato - com "pixulecos" de estatais e empreiteiras.
 
Dois meses antes, a “Folha de S. Paulo” já havia publicado um editorial igualmente insano (leia aqui), refutado brilhantemente no blog de Felipe Moura Brasil (veja aqui).
 
Os dois editoriais fazem parte de um fenômeno que chamo de “doisquatrosetização”: a grande mídia brasileira, totalmente comprada pela enorme quantidade de dinheiro oriunda da propaganda governamental, passou a ser porta-voz do governo, fazendo descaradamente o jogo sórdido do petismo, contando, para isso, com a mão de obra das "faculdades" de jornalismo que formam militantes, e não, jornalistas.

Agora, quando quisermos saber a opinião das organizações Globo, basta ir diretamente à esgotosfera (melhor alcunha para a blogosfera governista) consultar o próprio “Brasil 247” ou talvez o “Diário do Centro do Mundo”.

Voltando ao editorial em questão, intitulado "Manipulação do Congresso ultrapassa os limites", o jornal da família Marinho elenca uma série de culpados pela crise política e econômica que o país vive. Sobra para todo mundo, exceto para o próprio governo e seu partido, o PT!

Com aquela linguagem empostada falsa, descobrimos, através do editorial, que a crise se deve a tucanos “joviais” e “inconsequentes” e ao presidente da Câmara, porque estes atrapalham a "governabilidade".

O PT, coitado, nada fez aparentemente. Ao contrário, está sendo apenas uma pobre vítima das manobras do malvado "UnderCunha". Na visão do jornal, praticamente toda a crise se resume à tentativa de Eduardo Cunha de livrar-se das acusações imputadas a ele pela Lava-Jato.

Cunha é eleito pelo Globo como inimigo preferencial e acusado de "oportunista", exatamente da mesma forma que petistas e suas linhas auxiliares fizeram.

A crise, portanto, nada tem a ver com as barbeiragens da tal "nova matriz econômica", com os desequilíbrios fiscais, com as pedaladas, com a destruição do setor elétrico, com a roubalheira na Petrobras, com o fracasso das rodadas de concessão, com o aparelhamento do Estado e pelo estelionato eleitoral praticado pelo PT.

Inflação alta? A culpa é de Cunha. Dólar nas alturas? A culpa é da base aliada, que está se desfazendo. O Brasil vai perder o "grau de investimento"? A culpa é do "apoio jovial" de tucanos.

O editorial cita a PEC 443 - uma das chamadas "pautas-bomba" e "esquece" de comentar que a bancada do PT - a maior da Câmara - também votou amplamente a favor de sua aprovação. O partido do governo, portanto, é diretamente responsável pelo que o editorial chama de "marcha da insensatez".

A verdadeira "marcha da insensatez", no entanto, é manter o PT no poder e continuar a ler “O Globo”.
No falso dilema apresentado -  "vale mais o destino de políticos proeminentes ou a estabilidade institucional do país? " -, por que o jornal não exorta que Dilma Rousseff renuncie? Afinal, se há uma crise, deve-se ao desgoverno dessa senhora.

Ou será que o destino político da “mulher sapiens” vale "dobrar a meta" de uma gestão inexistente e cleptomaníaca à custa da população brasileira? Por que só pedir a cabeça de Cunha?

O editorial não faz nenhuma menção sequer ao Petrolão, ao uso de dinheiro sujo na campanha eleitoral de Dilma, à investigação de vários petistas pela Lava Jato, ao segundo tesoureiro do PT preso em menos de uma década, ou mesmo à incompetência da presidente que saúda mandiocas e dobra metas inexistentes.

Ao comentar a fala desesperada de Aloísio Mercadante pedindo apoio, o jornal faz um elogio rasgado ao ministro da Casa Civil e joga a responsabilidade na conta do PSDB.

Ou seja, depois de tantas sandices, o PT se faz de bom moço e são os outros que devem assumir o ônus de consertar suas barbeiragens.

O jornal fantasia a situação: pinta um cenário no qual os petistas estariam pensando no futuro do país ao invés de estarem totalmente desesperados e com medo de serem tirados do poder pelo legalmente necessário e democrático processo de impeachment.

O editorial também mente ao dizer ser "inédito" o gesto de Mercadante. Em 2003, logo após a primeira vitória presidencial, petistas graduados também fizeram esse jogo de cena, pois precisavam de apoio no início do governo Lula.

É uma constante. Sempre que estão enfraquecidos ou são pegos com as calças na mão, petistas fingem ter "amadurecido". Mas a atitude, sempre passageira, é apenas o gesto cínico típico de psicopatas.
Ao recuperarem a iniciativa, os petistas sempre voltam com seus delírios totalitários, buscando exterminar aqueles que ficam no seu caminho.

A prova de que o gesto de Mercadante é apenas um mero recuo estratégico ficou escancarada no programa que o PT veiculou no dia 06/08/2015 (assista aqui), no qual zombou dos brasileiros, insultando a nossa inteligência e fazendo pouco caso dos panelaços.

No programa, o PT apontou a crise política e o oportunismo como a principal ameaça para o Brasil.
Exatamente como o jornal “O Globo” fez no dia seguinte, transformando-se oficiosamente, portanto, em um panfleto petista de quinta categoria.

O jornal também mostra - e nisso encontra cúmplices nos demais grandes jornais brasileiros - que não entende o funcionamento do sistema político democrático, no qual há uma divisão de poderes, e o papel da oposição é fiscalizar e cobrar o governo, e não submeter-se a ele.

Para “o Globo”, entretanto, parece ser sempre melhor ter um Congresso totalmente de joelhos, submisso à vontade arbitrária do supremo mandatário da vez. Um presidente da Câmara dos Deputados que seja independente do governo, nem pensar.

Automaticamente ele é tachado de "arma nuclear". Já a oposição, para “O Globo”, deve é votar com o governo e jamais ser, mesmo que de vez em quando, uma oposição de verdade.

Desde 2003, o tucanato vem fazendo a oposição mais frouxa da história democrática mundial, mas para “O Globo”, só isso não basta. É preciso mais pusilanimidade. "Maturidade" para O Globo é sinônimo de submissão total aos caprichos do governo.

Já, para mim, maturidade é desconsiderar "O Globo" como fonte fidedigna de informações e análises depois desse editorial abjeto.

Na conclusão, o jornal fala que “Tudo isso (ou seja, a crise) deveria aproximar os políticos responsáveis de todos os partidos para dar condições de governabilidade ao Planalto”.

A realidade, porém, é inversa: políticos responsáveis deveriam se aproximar para iniciar o processo de impeachment e não para proteger este governo moribundo. Qualquer coisa diferente disso é traição à pátria e a vontade popular.

Só existe uma única saída para a crise: o impeachment e o fechamento dessa organização criminosa travestida de partido político chamada PT.

 





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