Opinião

Mais do que uma escolha


É consensual, pelo menos entre as pessoas de bom senso, que a forma de fazer política nas últimas décadas custou, e está custando, muito caro à sociedade brasileira


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 29 de Novembro de 2017 às 15:31

  | Historiador


Os efeitos da crise que nos assola criam uma justificada expectativa de mudanças no Brasil. Os erros, prejuízos e estragos – políticos, econômicos e institucionais – foram grandes demais para que se possa atribuí-los a nomes, siglas e crimes.

Seria mais útil se nos perguntássemos como esses nomes, siglas e crimes dominaram a cena nacional ao ponto de degradação que chegamos, e como eles pretendem continuar a fazê-lo.    

Se a política é o processo de deliberação das questões de interesse da sociedade -e deve continuar a sê-lo –essa é mais uma razão para que ela mude no País.

É consensual, pelo menos entre as pessoas de bom senso, que a forma de fazer política nas últimas décadas custou, e está custando, muito caro à sociedade brasileira.

Política é essencialmente decisão: a ciência e a arte do poder, mas que acontece inevitavelmente pela decisão. É ela que serve como parâmetro da política.

A decisão foi ao encontro das aspirações da sociedade, levou em conta os mecanismos de representação, baseou-se no melhor conhecimento das questões que a motivaram? Perguntas como essas medem a qualidade de uma política.

A política envolve todos os setores  na sociedade politicamente organizada, o Estado, pelos seus poderes constitucionais e pelas suas instituições.

As decisões que a política toma têm que ser bem deliberadas, bem executadas e bem fundadas na lei. O caso contrário é exatamente o que temos no Brasil: o by-pass do interesse público, a prevaricação como norma e o jurisdicismo a serviço do poder.

Encaminhamo-nos para uma erupção política depois do Carnaval. Ambições e emoções vão dominar a cena nacional travestidos de candidaturas e projetos, fazendo desaparecer o pouco bom senso que nos resta, se é que ainda estamos dispostos a dar ouvidos a algum.

O “homem da rua”, personagem típico dos eventos cataclísmicos da década de 30 do século passado foi substituído no século 2I pela pessoa das redes, muito mais eficaz em extravasar sua fúria.

E a considerar as lamentáveis decisões que foram tomadas, e continuam ser tomadas, por todos os poderes da República, a quantidade de furiosos vai aumentar.

A persistir esse cenário, teremos em 2018 não soluções, mas reações: inevitavelmente contraditórias, desconexas, incoerentes e acima de tudo, irrefletidas.

O momento é, portanto, de preocupação, sem catastrofismos, apenas de responsabilidade. Muitíssima.

De todos, com a coisa pública. De líderes, pensadores, formadores de opinião, tomadores de decisão e pessoas comuns que devem se descobrir cada vez mais como responsáveis pelos destinos do País. E que devem estar muito conscientes de que participarão no próximo ano não de uma escolha, mas sim de uma decisão.

A primeira de um novo começo: a do Brasil que pode e deve ser.

 

*As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio