Opinião

Mais do mesmo em São Paulo


Fica evidente que a cidade ainda não encontrou quem tenha o peso devido para governá-la sem demagogia, sem populismo, sem visão pequena, partidária, ou corrupta


  Por Paulo Saab 03 de Novembro de 2015 às 11:07

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


A pesquisa do Datafolha publicada nesta terça-feira (03/10) pela Folha de S.Paulo sobre candidatos a prefeito em 2016 é desalentadora. Independentemente dos resultados de agora fica evidente, uma vez mais, que a cidade não tem tido pretendentes a dirigi-la que sejam a combinação exigida: um técnico especializado em gestão urbana com trânsito político e capacidade de diálogo com os reais problemas paulistanos.

O fato de o deputado federal Celso Russomano aparecer bem na frente não impressiona. Na eleição anterior aconteceu o mesmo e, como já se diz na imprensa, ele é um bom candidato de saída, mas ruim de chegada.

De todo modo não cabe nesse momento, nem é minha intenção, avaliar as potencialidades dos candidatos a candidatos, mas a falta de opções dentro do figurino acima desenhado.

Os nomes até agora postos na mesa são do atual prefeito, uma nulidade, da ex-prefeita Martaxa Suplicy que foi igualmente fraca no comando cidade e, tirando o vereador Andrea Matarazzo que ainda precisa ter seu nome indicado (ou não) dentro do PSDB, os demais colocados na corrida são todos, incluindo Russomano (e a própria Marta), apresentadores de programas de televisão ou ex-apresentadores.

Todos buscam se valer da popularidade que a mídia de massa lhes dá para chegar ao cargo de prefeito da maior cidade do Brasil.

Não quero, também, nessa oportunidade, julgar a capacidade administrativa, o caráter, a folha corrida e muito menos a probidade dos nomes divulgados pela Folha na edição de hoje.

Cometeria alguma injustiça se assim o fizesse baseado apenas na imagem que todos eles possuem decorrentes de sua exposição na mídia. Certamente todos são além do que se mostra. Para mais ou para menos.

Na questão, todavia, “conjunto da obra” de cada nome apresentado, sem mencionar outros que possam entrar na disputa municipal, fica evidente que a cidade ainda não encontrou quem tenha o peso devido para governá-la sem demagogia, sem populismo, sem visão pequena, partidária, ou corrupta.

Certamente,também, deixo em aberto o benefício da dúvida para João Dória Junior, José Luiz Datena, o próprio Russomano, que, se eleito um deles, pode vir a se revelar como um bom prefeito. No caso de Martaxa e Haddad, não há o que se esperar além de mais do mesmo. Ou pior.

De todo modo, não há como esconder certo sentimento de frustração ao constatar que –repito- salvo surpresa posterior, os nomes colocados para dirigir os destinos da grande megalópoles, hoje em estado de pré-caos, se comparados, por exemplo, a Prestes Maia ou Faria Lima, para citar somente dois ex-prefeitos paulistanos, em suas respectivas gestões, ficam a dever.

Os partidos políticos poderiam ser menos imediatistas e criarem em seus quadros, além de militantes, meios de desenvolver postulantes  preparados para os postos a que se candidatam.

Esta é minha utopia. Além da maior delas: um grande plano nacional de Educação, suprapartidário e de Estado, não de governo.
Quem sabe um dia, daqui alguns séculos...