Opinião

Lula, o "desanimado"


Dá-se destaque, como se fosse notícia, ao desânimo de Lula. Enquanto isso, milhões de brasileiros buscam emprego


  Por Paulo Saab 05 de Julho de 2016 às 11:16

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Diz o noticiário de hoje que o desânimo de Lula preocupa amigos. O ex-presidente não estaria sendo procurado para prestar consultorias nem formular palestras. Chega, dizem, a ficar horas seguidas sem sorrir.

Uma notícia como essa é reflexo do que é o Brasil de hoje, com todas as distorções que o PT – o próprio Lula – ajudou a aprofundar no cenário político, econômico e social do país.

Lula, o PT, Dilma, et caterva, afundaram o Brasil na maior crise de sua história. Destruíram a Petrobrás, cometeram crimes seguidos de lesa-pátria, corromperam o aparelho estatal, as empresas públicas e os valores nacionais, mentiram e afrontaram a Constituição.

A família Lula da Silva e outros próceres petistas, de acordo com as denúncias e investigações em andamento, ficaram milionários de forma ilícita.

O PT teve ou tem presos dois ex-presidentes da era Lula, José Dirceu e José Genoíno. O PT tem presos seus últimos três tesoureiros da era Lula: Delúbio Soares, João Vaccari e Paulo Ferreira.

Só num país como o nosso – ainda longe, embora a caminho, de ser sério de verdade – o alcance de tamanha destruição gera notícia de que o grande timoneiro disso tudo está triste e desanimado.

Os prejuízos colossais dados aos brasileiros, a elevação da inflação, o aumento absurdo do desemprego, a quebra da Petrobrás e dos estados brasileiros, a falência moral de nosso Congresso Nacional e agora, parece, do próprio STF, nada disso deixa o país desanimado. Quem fica desanimado é o demagógico, mentiroso, acusado de criminoso e corrupto ex-presidente.

A imprensa brasileira, da qual faço parte há mais de quatro décadas, segue padecendo do mal de se sentir justiceira, defensora dos fracos e oprimidos. Não basta buscar e difundir os fatos e a verdade. Ela própria gosta de ser juiz e decidir quem está acima do bem e do mal e quem agiu, pela sua ótica, certo ou errado.

Com isso, gera uma cobertura e dá dimensão a fatos distorcidos em que prevalece um viés de identificação ideológica ou de interesse comercial que sobrepuja a missão de bem informar a opinião pública.

Dá-se destaque, como se fosse notícia, ao desânimo de Lula. Enquanto isso, milhões de brasileiros buscam emprego.

O mesmo emprego, sem necessidade da contrapartida do trabalho sério, que os petistas ofereceram a milhares e milhares de militantes para sustentá-los, com dinheiro público e sujo. Num projeto de poder de espoliação dos pobres, mas em seu nome, que agora faz água. Felizmente. Mas deixa Lula desanimado.

Somos de fato um país estranho.

Não é a toa que a população em geral, aquela que trabalha de verdade, paga impostos extorsivos e faz o país andar, (mesmo sangrando por causa das quadrilhas, hordas de políticos, governantes, maus empresários, maus funcionários públicos e  ladrões) além de desanimada, está enojada, revoltada e cansada disso tudo que está aí.

Quando nossos políticos começarem a pensar no país e não neles e familiares; quando nossa Justiça não for dominada por indicações políticas e ideológicas e quando José Eduardo Cardoso acordar do papel lamentável que tem se prestado a fazer, para ficar só nisso, o Brasil começará a ser de verdade um país.

Uma nação, e não o acampamento de interesses escusos em que se transformou sob a égide de Lula, o desanimado, que pasmem, ainda acha que poderá ser novamente eleito para o cargo de presidente da República.

Só se for da República da Papuda, em breve.

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