Opinião

Inserção de produtores de pequeno porte em mercados externos


No trabalho original de 2010, destacou-se a importância da inserção competitiva de produtores de micro, pequeno e médio portes em mercados externos para o crescimento sustentado das exportações brasileiras.


  Por José Cândido Senna 31 de Outubro de 2014 às 00:00

  | Engenheiro Civil e pós- graduado em Engenharia Industrial pela PUC-RJ, economista pela UERJ e Mestre em Administração Pública pela Kennedy School of Government da Harvard University


À medida que se amplia a base de exportadores, abrem-se perspectivas de diversificação tanto da pauta de exportações quanto dos países de destino. Condições adversas em alguns mercados são compensadas por mais promissoras em outros, assegurando-se, assim, o tão almejado círculo virtuoso das vendas externas. Em 2012, 14,6 mil exportadores (70% do total) foram de micro, pequeno e médio portes, mas diretamente responsáveis por apenas 4% das exportações totais, da ordem de US$ 243 bilhões.

É fundamental criar condições de ganhos contínuos de competitividade aos exportadores, buscando-se sempre a redução de seus custos e a agregação de valor aos itens exportados, ações equivalentes a um “câmbio adicional” e maior rentabilidade das exportações. Iniciativas nas áreas de inovação e sustentabilidade, a despeito de esforços governamentais, têm produzido resultados ainda modestos em algumas cadeias produtivas, como a do agronegócios.

Em tal contexto, ressaltou-se o papel de empresas comerciais importadoras e exportadoras (CIEs) na alavancagem de vendas externas. Atuando em ambas as pontas, elas podem importar insumos e componentes necessários à redução de custos de produção, bem como oferecer canais de distribuição no exterior para a almejada inserção. Contribuem, portanto, para diminuir despesas de acesso a mercados, tais como a prospecção de compradores e a participação em eventos internacionais, bem como a seleção de representantes, agentes ou distribuidores.

Foi proposta a criação de uma categoria especial dessas empresas denominada Export Development Company (EDC), que atuaria na prestação de serviços orientados para o merca- do e às atividades produtivas, bem como ao gerenciamento de riscos e ao suporte logístico de importações e exportações.

Apesar dos esforços da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos – ApexBrasil, de reconhecimento e fortaleci- mento daquele papel, suas ações ainda não contemplaram a EDC. Ressalte-se, entretanto, a maior articulação da entidade, a partir de 2011, com o Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Importadoras e Exportadoras – CECIEx, instituído pela ACSP, para a consolidação do Projeto Tradings.

Entre outros, os trabalhos abrangem a organização, em diversas regiões do País, de eventos de mobilização e sensibilização de produto- res e exportadores, denominados EXPORTAR PARA CRESCER, envolvendo encontros de negócios com dirigentes e representantes de CIEs. Essa iniciativa segue o tradicional e exitoso modelo de aproximação desses atores implementado pelo movimento DOBRANDO AS VENDAS EXTERNAS COM AS COMER-
CIAIS EXPORTADORAS, iniciado pela Fede- ração das Associações Comerciais do Estado de São Paulo – FACESP, em 2000, posteriormente absorvido pelo Projeto EXPORTA, SÃO PAULO, ora em andamento.

Na logística do comércio internacional por via marítima, em especial a que envolve o uso de contêineres, destacou-se, em 2010, a importância da implementação do Projeto PORTO 24 HORAS no complexo portuário santista, fruto de inúmeras análises e discussões promovidas pelo Comitê de Usuários dos Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo – COMUS, da ACSP, desde setembro de 2007. Em abril de 2013, a Secretaria Especial de Portos – SEP, da Presidência da República, lançou o Programa PORTO 24 HORAS, em duas etapas, a primeira voltada aos portos de Santos, Rio de Janeiro e Vitória. A segunda contemplou os portos de Suape, Paranaguá, Rio Grande, Itajaí e Fortaleza.
O Programa ainda não deslanchou, em virtude, principalmente, da necessidade de redefinição de quadros de pessoal de órgãos anuentes de importação e exportação, tais como a Receita Federal, a ANVISA e a VIGIAGRO, bem como da baixa demanda em horários noturnos e finais de semana. Em Santos, tais dificuldades deverão ser superadas no período 2015/2022, na medida em que se confirmem as previsões de crescimento de fluxos de cargas pelo mesmo porto, em especial em contêineres, tanto na navegação de longo curso quanto na cabotagem, e a atual oferta de serviços logísticos do complexo portuário mantenha-se praticamente inalterada.

Nesse cenário, o Projeto PORTO 24 HORAS será naturalmente implementado, pois é uma alternativa de ganhos efetivos de produtividade de instalações logísticas, por meio da redução dos tempos de permanência (dwell times) de cargas em pátios portuários e retro- portuários, proporcionando, dessa forma, o aumento da capacidade de terminais. Simultaneamente, haverá a diminuição dos tempos de trânsito de mercadorias importadas e exportadas, bem como dos custos logísticos associados, fortalecendo, assim, a competitividade de importadores e exportadores, em especial os de micro, pequeno e médio portes, objetivo maior de ambos os projetos.