Opinião

Indefensável


Ou é uma peça de ficção o incitamento à violência promovido pelo PT e pelos seus associados diante do enquadramento legal do Führer tupiniquim?


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 11 de Março de 2016 às 16:20

  | Historiador


Qualquer pessoa investigada que demonstre possuir intenções e capacidade para interferir nos processos de que é alvo, ou de se colocar fora de seu alcance, pode ser detida preventivamente.

Isso é ponto pacífico para a Justiça e para a população brasileira, exasperada com os escândalos e a impunidade que pontilham a vida pública do País nos últimos anos.

Bem, isso era pacífico até essa prática atingir Lula com o pedido de sua prisão preventiva pelo Ministério Público de São Paulo. 

Antes de tocar em Lula podia? Podia, com os outros claro: um governador de Estado, um senador da República e tantos mais alcançados por denúncias ou envolvidos em ilícitos de toda sorte nesta era de corrupção institucionalizada.

Da mesma forma que podia com os 176 outros além de Lula conduzidos coercitivamente para depor no curso das investigações da Lava Jato.

A pergunta (por que não Lula?) nos remete então às análises que pipocam nos principais jornais nos últimos dias, todas elas  criticando os procuradores que formularam o pedido de prisão preventiva. É o caso de uma análise das análises? Parece que sim. 

Para começar, é difícil crer que três procuradores do Ministério Público de São Paulo estejam tão unanimemente errados, considerando a unanimidade com que até aqui foram criticadas as suas medidas. 

Em segundo lugar, cabe pontuar que nenhuma das críticas aos procuradores se debruça sobre os fundamentos do pedido de prisão preventiva: 

1o.) a ameaça que Lula representa à ordem pública, quando se sente ameaçado; e 

2o.) o emprego por Lula de manobras que intentam coloca-lo fora do alcance da Justiça. 

A possibilidade de três procuradores não estarem tão errados, já deveria ter inspirado alguma prudência aos analistas e especialistas que, muito mais do que analisar, não se pejaram em vir a público para denegrir a imagem do Ministério Público.

Quanto a esse primeiro ponto, podemos ficar no campo das conjecturas e prudências. Mas quanto ao segundo, é uma questão de desrespeito às provas do dia a dia, a que nenhum de nós é dado o direito de desconsiderar.

Ou é uma peça de ficção o incitamento à violência promovido pelo PT e pelos seus associados diante do enquadramento legal do Führer tupiniquim?

Teria sido então uma ilusão a preocupação com o confronto que se espraiou pelo País desde a 6a feira, dia 4 de março, e que o PT soube usar muito bem em seu benefício? 

E não se ofereceu um ministério a um cidadão que acabou de ser denunciado à Justiça, meramente para coloca-lo fora do alcance da Lei, como reconhecem cinicamente os promotores dessa infame ideia?

Se isso não é verdade, quem está fora do juízo normal não somos nós que não nos conformamos com esse estrupo da coisa pública. Quem perdeu o bom senso foi o governo e quem perdeu o juízo foi quem não o denuncia.

O Ministério Público, pelos seus distintos ramos, defende os interesses da sociedade e zela pelo cumprimento da Lei, por todos, sem exceção. Lula, pelos seus ataques ao Ministério Público se coloca contra o cumprimento da Lei e, acima de tudo, contra a sociedade brasileira.

Muito mais do que a aceitação de um ministério, o que vai tornando Lula indefensável é a sua recusa em  se defender na forma a que todos os outros brasileiros estão obrigados. Ele é cada vez mais indefensável, por que está, em última análise, contra o povo brasileiro.

Mas a continuar a sistemática desmoralização das instituições neste País, em proveito de um establishment, ou seja lá que nome se der à imoralidade pública que domina a cena nacional, cinicamente defendida em arruaças, invasões, agressões, plenários, gabinetes, cafés da manhã e jantares, quem restará sem qualquer defesa, é a sociedade brasileira. 

Cabe a ela, antes de tudo, querer ser defendida, sob pena de se tornar indefensável por tudo que inevitavelmente haverá de lhe acontecer.

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