Opinião

Imbróglio verde-amarelo


O quadro do momento é tão complicado que, mesmo diante do recesso parlamentar, ninguém ousa se afastar de suas cadeiras


  Por Paulo Saab 20 de Julho de 2015 às 17:16

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


O quadro político da vida nacional virou um imbróglio. Ninguém mais sabe aonde tudo isso vai levar.

O Ministro Marco Aurélio Melo, do STF, em entrevista à Jovem Pan disse –e concordo- que não há crise institucional porque as instituições estão trabalhando, operando, em sua plenitude democrática.

A crise é política, partidária, econômica.

Tudo, na minha opinião, em decorrência da gestão desastrosa da presidente Dilma e dos erros e permissividade de sua administração e de tudo que de errado ocorreu sob o manto dos dois mandatos anteriores de Lula.

Não temos crise institucional. De resto, temos todas as outras.

O quadro do momento é tão complicado que, mesmo diante do recesso parlamentar, ninguém ousa se afastar de suas cadeiras. Por mil motivos, inclusive, sabe-se lá, o medo de perdê-la. Podem relaxar: com as instituições funcionando, a perda será pelas vias legítimas, a quem merecer.

Na avaliação de muitos políticos de diferentes partidos com quem converso, a oposição também está sem saber o que fazer. Com medo de precipitações ou decisões erradas que, de um modo ou outro, possam vir a dar novo fôlego, especialmente a Lula --que se bandeou para seu lado próprio, contra Dilma também, prevendo um espaço para voltar a ser oposição e com isso usar as armas que sabe para tentar voltar em 2018.

Com a Operação Lava Jato atirando para todos os lados, existe -entre os que devem e não se revelam-, um temor que paralisa e constrange.

Ao assumir uma atitude abertamente opositora ao governo Dilma, o presidente da Câmara jogou água mais quente na fervura. Os desdobramentos ainda irão ocorrer como os círculos da pedra jogada na água.

Uma coisa é certa. O momento exigiria muito mais de Aécio e também de Marina Silva.

Aécio é a própria indefinição. Para o eleitor que nele votou por ser contra o PT, fica a sensação de vazio. Sobre Marina fica a de oportunismo mesmo. Só aparece quando é do interesse dela.

O país mergulhado em crise e ela desaparecida. Vinte milhões de votos para isso?

Roberto Pompeu de Toledo publicou na última página de Veja deste fim de semana sobre as razões que ele vê para não haver impeachment da governanta. No meio da semana publiquei se era melhor ou pior com Dilma.

É obrigação de todos pensar no país.

Mesmo que seja exclusivamente culpa dela (e de Lula) termos chegado a esse fundo de poço, ou quase, em que ambos jogaram o país de forma irresponsável.

E nem abordei, aqui, agora, um milésimo dos problemas graves que nos afligem.