Opinião

Há saída sim!


Os principais postulantes ao cargo presidencial enfrentam o desafio de se qualificar perante o eleitorado segundo duas exigências primordiais: credibilidade e responsabilidade


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 05 de Julho de 2018 às 12:46

  | Historiador


Apesar da turbulência causada pelo STF, o processo de sucessão presidencial avança dentro dos parâmetros desejáveis a uma grande e complexa democracia como é o Brasil.  

Dentro desse quadro, a CNI repetiu em Brasília  nessa quarta-feira, 4 de julho, o Diálogo da Indústria com Candidatos à Presidência da República trazendo Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Jair Bolsonaro (PSL),  Henrique Meirelles (MDB), Ciro Gomes PDT) e Álvaro Dias (Pode) para, nessa ordem, exporem suas ideias e responder perguntas de 1.500 líderes empresariais do País.

O momento não podia ser mais apropriado, amargo até, quando se aponta uma queda expressiva na produção industrial de maio, o que, junto com  indicadores de outros setores, reflete a incerteza que paira sobre o futuro imediato da economia do País.

As reações às palavras dos pré-candidatos no tradicional evento da CNI, somadas às pesquisas de intenção de voto e às entrevistas de políticos e acadêmicos sobre a situação do País mostram que os principais postulantes ao cargo presidencial enfrentam o desafio de se qualificar perante o eleitorado segundo duas exigências primordiais: credibilidade e responsabilidade.

Basicamente, considerados esses fatores, há três tipos de postulação na campanha presidencial já informalmente em curso.

A primeira é a dos candidatos que, pelo seu discurso crítico e pela distância que mantiveram do poder e de suas práticas nos últimos anos, desfrutam de maior credibilidade, refletida nas intenções de voto das mais recentes pesquisas.

A segunda é a dos que exibem um discurso mais consistente em termos políticos e econômicos, mas são vistos pela sociedade como ligados, de alguma forma, à corrupção eviscerada pela Lava Jato, ou tidos como incapazes de enfrenta-la.

A terceira é a que atua no cenário eleitoral independentemente de candidatura, disseminando o dito popular de que “o que não tem solução solucionado está”, ou seja, que o atual arranjo político deve continuar por que não há saída para a situação em que se encontra o País.

Por essa postulação se entende como há quem venha a público dizer que a Lava Jato desconstruiu as instituições.

Ou elogiar a experiência, o amadurecimento e o profissionalismo que move o presidencialismo de corrupção (qualquer outra designação é um eufemismo).

Ou pior, pregar desde já o impeachment do próximo presidente devido à situação criada pela presidente impedida.

Esquecendo-se, é claro, que Dilma foi afastada pela percepção da corrupção em seu governo, não pelo estrago que só agora é percebido em sua real dimensão.

Para que essa postulação do mal não prospere e leve o Brasil ao caos ainda maior, é preciso que os candidatos com credibilidade mostrem responsabilidade e que os que se pautam por ela assumam abertamente seu compromisso com o enfrentamento do grande mal do País nessa quadra: a corrupção.

Temer poderia tê-lo feito em 2016. Não quis ou não pode, como várias vezes se enfatizou neste espaço. O resultado realmente substantivo de suas reformas foi mostrar ao País que sem credibilidade não há reponsabilidade para avançar em reforma alguma.

Do dilema ético weberiano poderá emergir a combinação de responsabilidade e  credibilidade a ser escolhida pelo eleitorado.

O importante é acreditar que, ao contrário do que as cassandras da bandalheira pregam, há saída sim!

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