Opinião

Gravidade exige diálogo


O agravamento da crise na economia não interessa a ninguém, muito menos aos políticos e à estabilidade democrática


  Por Aristóteles Drummond 21 de Outubro de 2015 às 12:33

  | Jornalista


As corajosas declarações da presidente Dilma na Suécia, prestigiando seu ministro da Fazenda face aos ataques de lideranças do PT, seu partido, marcam um ponto positivo. Isso em meio a tantas indefinições do governo, que não conseguiu avançar no ajuste fiscal nestes quase dez meses de mandato.

A oposição precisa evoluir para uma postura menos emocional, concentrar seu trabalho em acompanhar e levar para o Congresso os processos tipo Lava-Jato, investigar o paradeiro da sra. Rosemary e seus erros quando em cargo relevante, apurar irregularidades investigadas, afastando funcionários e usando da Receita Federal na busca do que foi sonegado. Inclusive nas manifestações de ostentação dos envolvidos e ocultação de bens em nome de empresas constituídas para este fim.

No mais, nas votações de matérias econômicas, que visam enfrentar a crise, se impõe uma postura mais responsável, através da qual só pode crescer junto à opinião pública mais consciente do país.

O agravamento da crise na economia não interessa a ninguém, muito menos aos políticos e à estabilidade democrática. Hoje, corremos sérios riscos de uma ruptura, já que a coesão e a atuação das forças armadas são desconhecidas e os militares parecem pouco dispostos a intervirem em situação extrema.

Até porque os beneficiários dos 21 anos de ordem e progresso não souberam manifestar, em nenhum momento, reconhecimento.

Empresários, profissionais liberais e a mídia em geral ganharam meio século de liberdade e crescimento econômico e social, dando em troco a indiferença aos movimentos revanchistas. Neste jogo, os militares foram e têm sido impecáveis. Mas é claro que não deixariam a baderna tomar conta das ruas , seja contra ou a favor do governo.

A crise só tende a se agravar, a ganhar velocidade e desgaste internacional crescente. Talvez por saber disso, por elementos que possui, a presidente comece a agir com mais humildade e pragmatismo. Nada de aventuras em momento delicado, com o Brasil cada vez mais isolado, fora dos grandes acordos de comércio, na lanterna do crescimento, das perdas cambiais.

A Justiça deve agir com ampla liberdade, a oposição, com juízo e o governo, com isenção ideológica para que as dificuldades sejam superadas. Quem radicalizar não serve ao interesse nacional.

Todos nós temos nossas indignações com o que passa. Mas o Brasil deve estar acima de emoções. Sem bom senso e um mínimo de paz não chegaremos a lugar algum. A presidente já viu que tem de ser realista e fora da receita  adotada pelos países adiantados é o caos . E a sociedade brasileira  é informada .