Opinião

Faltam educação e limites


O poder público não faz uso legítimo da autoridade para afastar alunos nocivos à paz nas salas e pátios, muito menos coibir o desleixo e absenteísmo no magistério


  Por Aristóteles Drummond 06 de Julho de 2016 às 17:00

  | Jornalista


Além da crise na economia e na política, vivemos um momento preocupante no que toca ao trato das boas normas do convívio civilizado, prejudicando ainda mais a qualidade de vida do cidadão. 

E tendo como ponto de partida a estranha defesa de infratores de toda ordem em detrimento do apoio às autoridades, a começar pelas policias.

Parte da perda da paz nas famílias brasileiras se deve evidentemente a dificuldades na área da segurança pública e da saúde, que demandam investimentos de monta. Especialmente em pessoal melhor preparado e melhor remunerado.

No entanto, o ponto mais grave é a educação. As escolas, em todos os níveis, vivem a indisciplina, a falta de respeito ao professor e estes demonstram desinteresse pela missão tão nobre que é a de educar. 

O poder público, indiferente aos reclamos da maioria silenciosa da sociedade, não faz uso legítimo da autoridade para afastar alunos nocivos à paz nas salas e pátios, muito menos coibir o desleixo e absenteísmo no magistério. 

Nunca se publicou o desconto de faltosos nas repartições públicas no Brasil, como ocorre nas empresas privadas e no resto do mundo desenvolvido.

Para acolher alunos agressivos o ideal seriam escolas especializadas , com psicólogos e direção militar para impor a disciplina.

Apenas nas cidades do interior sobrevivem hábitos salutares, como o hasteamento da bandeira, o canto do Hino Nacional e as comemorações das datas e dos grandes vultos da história, das festas de congraçamento. 

Moral e civismo e semana da pátria desapareceram dos currículos. A base moral de nosso povo ficou dependente das diferentes igrejas e das famílias bem constituídas.

Nas ruas, a desordem é a norma, incluindo o som abusivo em  automóveis, a sujeira nas calçadas, a presença de passageiros descamisados nos transportes coletivos, a ocupação de espaços pela chamada “população de rua”, constrangendo quando não ameaçando o cidadão e contribuinte.

Estas aberrações já entraram no cotidiano das cidades e a falta de reação da sociedade leva o Estado a se omitir. Não pode nem deve ser assim.

Esse afrouxamento na aplicação de limites e uso da autoridade provoca a má formação do cidadão, formando uma cultura da indisciplina, do desrespeito aos direitos do próximo, estimulando a impunidade de delitos de toda natureza, desde uma infração de trânsito a venda de produto adulterado, passando pela sonegação e o desleixo na manutenção de bens públicos de uso comum, como praças, banheiros e transportes. Tudo  entregue ao puro vandalismo.

No tempo de nossos avós, não era assim!