Opinião

Falta oposição


A sociedade e as chamadas forças vivas da nacionalidade estão na orfandade. Oposição de verdade apenas nas redes sociais, que pecam por ser trabalho de amadores e esse jogo é para profissionais.


  Por Aristóteles Drummond 28 de Outubro de 2015 às 15:52

  | Jornalista


Fazer oposição é uma arte e uma vocação. A velha UDN, com bravos parlamentares, era exemplo de garra e determinação na fiscalização e cobrança dos governos, nos âmbitos federal e estadual.

 Minas  teve nomes de excelência, como Oscar Dias Correa, Zezinho Bonifácio, na Assembleia e na Câmara Federal, e Afonso Arinos Sobrinho, que, quando da bancada mineira, fez discurso contra Vargas de tal violência que é considerado uma das causas do ato extremo do então presidente da República.

Bilac Pinto, ao denunciar a dimensão da infiltração comunista no governo Jango, foi decisivo na conscientização dos militares e da sociedade em 1964.

Isso sem falar no demolidor de presidentes, o fluminense Carlos Lacerda, certamente o maior tribuno da história republicana.

Hoje, falta uma estratégia nas oposições. O Congresso Nacional deveria apoiar as medidas do ajuste, que as forças formadoras de opinião reconhecem como acertadas, como ato de responsabilidade, deixando as queixas e reclamações para os aliados levianos da presidente.

E, ao mesmo tempo, bater duro nas questões relacionadas aos escândalos, cobrando casos relegados ao esquecimento, apesar de sua gravidade. Oposição  ao governo e não ao Brasil é o que se espera.

Inconcebível para quem conheceu a referida bancada da UDN que a oposição ao governo federal seja omisso na apuração dos desmandos da sra. Rosemary.

Ela foi representante do Planalto em São Paulo, acompanhou o presidente Lula em viagens ao exterior, e o processo a que responde de enriquecimento ilícito e tráfico de influência está em alguma gaveta.

O STJ autorizou, em junho, a abertura de seus cartões corporativos e o Congresso não cobrou a entrega dos mesmos.

Em Minas, as palestras milionárias do hoje governador pagas pela FIEMG, com farto noticiário de que, além do preço exorbitante, superior às de um Prêmio Nobel, consta que nem foram feitas, caíram no esquecimento.

A impunidade permitiu a candidatura do conferencista, eleito com contas cheias de suspeições, gráficas que não existem, dinheiro passando por empresa da mulher e outros fatos graves amplamente noticiados. As bancadas da Assembleia e a Federal nada cobram.

Claro que existe uma ala na oposição que, no fundo, se identifica com o lado bolivariano deste governo. O PPS, por exemplo, que é, segundo seu presidente, o sucessor do velho partidão, deve ver com simpatia nossas relações com Cuba e Fidel  e os generosos financiamentos do BNDES à ilha dos Castro.

A sociedade e as chamadas forças vivas da nacionalidade estão na orfandade. Oposição de verdade apenas nas redes sociais, que pecam por ser trabalho de amadores e esse jogo é para profissionais.

Assim a crise vai ficando cada vez mais grave , pois tudo na verdade depende da economia e os agentes do desenvolvimento já viram que o governo finge que governa e a oposição finge que combate o governo.