Opinião

Estranhezas e cansaços...


O Brasil deixou de ser (será?) uma republiqueta de bananas para se tornar uma Republiqueta medíocre. Das mandiocas, talvez


  Por Paulo Saab 24 de Agosto de 2015 às 13:41

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Há algo de muito estranho, para não dizer errado, quando um governo de esquerda, socializante, estatizante, é apoiado explicitamente pelos dois maiores brancos privados do país.

Há algo de muito estranho e errado quando as maiores empreiteiras do país têm seus principais diretores, executivos, proprietários, presos, numa operação que envolve já bilhões de reais num espúrio conluio entre o governo federal e as construtoras de suas obras principais.

Há algo de muito estranho quando o Procurador Geral da República, indicado pelo Planalto, aponta o dedo na direção do presidente da Câmara, desafeto público da presidente da República, enquanto o presidente do Senado, néo-aderente, é deixado de lado quando estava na mesma canoa de denúncias.

Uma coisa, todavia, fica clara: com a adesão da Globo, da Folha, dos grandes bancos e do capital privado, articula-se e executa-se uma operação de esvaziamento das acusações contra os malfeitos do Executivo federal, de modo a que o passar do tempo seja favorável à governanta, pelo cansaço e desânimo dos descontentes –a maioria do povo brasileiro- por nada acontecer que mude a rota do crescimento da inflação, do empobrecimento, do desemprego.

Pode parecer contraditório, mas até com a desgraça se acostuma.

O Brasil deixou de ser (será?) uma republiqueta de bananas para se tornar uma Republiqueta medíocre. Das mandiocas, talvez.

Não se vê uma personalidade, não se ouve uma voz, não se lê uma linha, à exceção de FHC, de quem não sou fã de carteirinha, que diga coisa com coisa, que saiba o que fazer, que pense no país e não no poder e no assalto aos cofres públicos.

A imensa maioria dos brasileiros insatisfeitos não pode cansar e desistir.

De outro lado, observa-se também que a cidade de São Paulo, igualmente nas desastradas mãos do PT, se transformou no brinquedinho do prefeito Haddad, aquele que se auto intitulou um poste.

A cidade está padecendo de zeladoria. De cuidados. De alguém que a olhe não como objeto de poder político e dominação das “máfias”, mas que a mantenha limpa, iluminada, sem buracos. E que tenha um plano de contenção da expansão do vício do crack pela cidade toda e formação de favelinhas em cada viaduto.

A questão é que até apontar erros, tentar contribuir para melhorar no ambiente de incertezas e falta de valores que dominou a vida pública do país todo, acaba também cansando.