Opinião

Empregos e não greves


As greves são um respeitável direito dos assalariados, mas a politização das lideranças sindicais desvirtua os movimentos e ameaça o emprego


  Por Aristóteles Drummond 15 de Julho de 2015 às 13:19

  | Jornalista


O direito de greve é intimamente ligado à democracia e é uma das mais importantes conquistas dos trabalhadores em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Instrumento de defesa de direitos inalienáveis, tais como salários em dia, recolhimentos de descontos tributários feitos a tempo e a hora – FGTS, INSS, Imposto de Renda na Fonte, entre outros –, condições de trabalho dignas.

A greve não pode ser instrumento político, desgastada por categorias mais organizadas que incluem paralisações em seus calendários anuais, como o caso dos bancários – mais dos sindicatos do que dos trabalhadores em sua maioria.

A cada greve, diminuem os empregos e aumenta a automação. Portanto, hoje, o emprego é um patrimônio do trabalhador. E vivemos uma grave crise na economia.

A indústria automobilística tem abandonado algumas cidades paulistas em função da intolerância sindical, que vai ao ponto de não cumprir o acertado anteriormente. E quem perde com isso é o trabalhador e os municípios afetados. E afasta os investimentos no futuro.

Fator que vem sendo esquecido, em função do radicalismo de alguns sindicatos e pela omissão covarde de alguns governantes, é que a greve é um direito, mas a adesão não é obrigatória.

O chamado “piquete” que intimida o trabalhador que não quer aderir ao movimento é um instrumento de coação inconcebível numa democracia em que todos devem de ser respeitados.

Em todo o mundo, a greve tem um custo, e este são os dias parados. No Brasil, frequentemente, não se desconta nem das férias os dias parados. A legislação e o comportamento dos governantes e até empresários estimulam a prática se tornar rotina. E cria um ambiente hostil aos investidores.

A greve nos chamados serviços essenciais é prejudicial a população, que sofre com a falta de transportes, serviços médicos, limpeza urbana e até nas polícias, por mais incrível que possa parecer.

E, neste momento de austeridade, é preciso muita atenção e muita compreensão.

Em Portugal, recentemente, a própria sobrevivência da TAP esteve ameaçada pelo elitismo dos pilotos, bem remunerados, como se sabe, que, através dos prejuízos provocados pelo movimento ameaçou milhares de empregos da empresa. Falta de solidariedade aos companheiros de terra e às tripulações.

Neste caso, a privatização salvou a empresa e os empregos.

A grande maioria dos governantes e empresários aspira remunerar bem seus servidores e a prestar serviços adicionais na saúde, na educação de filhos, na alimentação.

Mas nem sempre a conjuntura econômica do momento, geral ou da própria empresa, permite que seja feito. É preciso compreensão, solidariedade para o bem de todos. Moderação é sempre bem-vinda. O mar não está para peixe.