Opinião

É difícil, mas vamos mudar o país


Vamos começar pela eleição do próximo domingo (02/10), votando para prefeito em candidato o mais afastado possível do vício. E em vereadores que de fato trabalhem para a população e não para si e seus donos.


  Por Paulo Saab 26 de Setembro de 2016 às 16:15

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Foi tanto tempo de farra, foi tanto tempo de desmandos, foi tanto tempo de usurpação, foi tanto tempo de fisiologismo, de nepotismo, de corrupção e de irresponsabilidade com a coisa pública, que o Brasil praticamente ficou refém de uma, duas, três, ou mais gerações de políticos pré e pós 64 -e consertar tudo isso é tarefa divina somente.

Os protagonistas são ao mesmo tempo agentes públicos e réus. São responsáveis pela gestão do país e culpados pelos desmandos verificados. 

Pela gestão dos Estados, das prefeituras, são responsáveis pelos Legislativos e Judiciários em todos os níveis. E todos eles, com as chamadas exceções honrosas, que existem, ajudaram a construir um sistema político que beneficia grupos, partidos, maus empresários, lideranças hereditárias impedindo o Brasil de sair do lodaçal em que foi enfiado por toda essa gente, as “zelites” e os trabalhadores que viraram elite e ajudaram a afundar o país ainda mais.

Gerações de políticos que impedem o Brasil de prosperar -entre quais, Renan Calheiros serve de exemplo-, existem aos milhares, atuam na vida pública nacional como chupins do trabalho dos brasileiros que não fazem parte dos grupos de poder (incluindo partidos políticos corruptos que dizem falar em nome dos mais humildes).

A vida politica nacional está impregnada. Viciada. Dominada. 

A briga dos partidos e aliado$ de ocasião, sempre, é pela prevalência de seus grupos no comando do tesouro nacional, do dinheiro público e sua capacidade -com maior ou menos sucesso diante das fraudes e roubos-, de assaltar os cofres públicos, enriquecerem e permanecer o quanto puderem mandando em tudo e todos, para não serem descobertos.

Começaram a ser presos, julgados, condenados, acusados. E a escala é tão grande e elevada que, quase por instinto, se unem para tentar derrubar, desmoralizar, frear, a parte decente do país que põe em risco essa prevalência, em nome da moralidade pública e do dinheiro arrecadado ser destinado às prioridades da população brasileira e não aos usurpadores e seus grupinhos econômicos e/ou ideológicos.

O lamaçal em que se tornou a vida pública brasileira repito, em todos os níveis de poder e alçadas da República, é tão grande, o controle da sujeira está tão nas mãos de quem transforma o Brasil em seu algoz quando ascendem ao poder, que fica difícil imaginar quando e onde o resgate disso tudo poderá ter início.

O ponto máximo dessa canalhice foi alcançado no período nefasto da presença do lulopetismo no poder. Mas não foram os únicos e nem são. Apenas exacerbaram e perderam a medida. Seguiram o adágio popular segundo o qual quem nunca comeu melado quando come se lambuza. 

Podemos e devemos, até porque só se tem ele nas condições constitucionais, dar um voto de confiança a Temer e seu governo sem equilíbrio de talentos.

Mas o que se pode esperar de verdade ele é que conduza o país em paz, arrumando sua economia, até as eleições de 2018.

De resto, cabe a nós, cada um dos brasileiros que agem de forma honesta em seu trabalho, com seu país, a começar a arrumar a bagunça e acabar com privilégios, foros, mordomias e os vícios existentes, além, claro da corrupção endêmica, a partir da escolha de candidatos o mais afastados possível dessa lama que encobre e envergonha as pessoas decentes e um país todo.

Vamos começar pela eleição do próximo domingo (02/10). Votar para prefeito em candidato o mais afastado possível do vício. E vereadores que de fato trabalhem para a população e não para si e seus donos.

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