Opinião

Don´t cry for you Argentina


Menen e o casal Kirchner ajudaram a afundar um país que tinha uma classe média invejável


  Por Paulo Saab 26 de Outubro de 2015 às 11:35

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Sem ser saudosista, mas para fins de registro histórico, é sempre bom lembrar aos que desconhecem o que foi a Argentina até um pouco além da primeira metade do Século XX, quando iniciou seu lento processo de decadência, deixando de ser um país de classe média para cima e se tornando uma nação pobre.

Não tenho elementos nem formação para fazer um estudo sociológico ou econômico do país vizinho.

Tenho, apenas, as lembranças da adolescência onde viajar para a Argentina era um feito (suéter de cashmere e casaco de couro eram objetos de sonho de consumo da então classe média brasileira).

Somem-se a isso as muitas viagens que fiz ao longo dos anos, como turista, mas, principalmente, já neste século XXI, como membro de comitivas oficiais do Brasil que foram à Argentina negociar acordos comerciais e, notadamente, embargos do país vizinho à entrada de produtos brasileiros.

Na Copa do Mundo de 78 (provavelmente a maioria dos leitores estava nascendo) eu deveria ter ido fazer a cobertura, dentro da ditadura argentina, dos acontecimentos políticos, fora do campo.

Infelizmente não pude, por problemas de saúde de meu pai, mas segui acompanhando e, na Guerra das Malvinas, eu estava em território argentino quando Thatcher mandou suas tropas para sufocar Galdieri.

Senti um pouco na pele os efeitos daquela guerra.

E, como narrei uma vez nas páginas do Diário do Comércio, ainda carrego na memória as palavras do então embaixador argentino no Brasil, Juan Pablo Lohle, com uma filha nascida no Rio de Janeiro quando ele era ainda adido cultural.

“O senhor não sabe – me disse -  o que é acordar todo dia de manhã e olhar no mapa esse monstro territorial chamado Brasil, quase sufocando a Argentina. Temos de conviver com isso de forma harmônica e colaborativa entre ambos os países. ”
 
Estas são as minhas modestas credenciais para palpitar que a Argentina merece melhor sorte do que Menem, Kirchner, para citar alguns governos ruins.

Não vou falar do Brasil, neste momento, mas certamente, passou pela cabeça do leitor que nosso país também merece melhor sorte do que Lula, Dilma, PT.

A questão é esta. Não vou discutir peronismo, justicialismo, bolivarianismo, socialismo, como se tenta implantar em toda a América do Sul.

A Argentina não tem vocação para isto e muito menos o Brasil. A Venezuela não tem força para impor isso, embora esteja até agora, conseguindo influenciar negativamente os demais países, mesmo caminhando para o fracasso total.

Quem escolhe, na Argentina e Brasil, seus governantes, são os eleitores desses países.  Na Venezuela o processo é viciado.

Os eleitores da Argentina e do Brasil, nos últimos anos, parecem não estar escolhendo bem seus presidentes. Digo parece embora os números do desempenho econômico e mesmo político das duas maiores nações da América do Sul sejam taxativos: em vez de crescimento, retrocesso e empobrecimento.

Aparentemente, a Argentina, nas eleições presidenciais, vai para um segundo turno.

Desejo que lá os candidatos não tenham dilapidado o tesouro do país para vencer a eleição, não tenham chegado a um nível de corrupção inimaginável para favorecer partidos e pensem um pouco no país e não só na manutenção do poder ou hegemonia política incabível em democracias.

Don´t cry for you, Argentina.

Cry Brasil.