Opinião

Domingo é dia de eleições primárias na Argentina


O sistema de primárias permite que as eleições definitivas sejam disputadas por candidatos de maior fôlego; não há por enquanto um favorito definitivo


  Por Roberto Fendt 03 de Agosto de 2015 às 13:12

  | Economista.


No próximo domingo, 9 de agosto, ocorrerão eleições primárias na Argentina. Essas eleições são abertas, simultâneas e obrigatórias e servirão para definir as chapas que competirão pela presidência da República nas eleições de 25 de outubro próximo.

Há virtudes no sistema argentino. Talvez a principal seja a simplificação do processo eleitoral, já que somente restarão para concorrer os candidatos que já terão demonstrado nas eleições primárias músculo suficiente para enfrentar o teste definitivo do eleitorado.

Os candidatos com reais possibilidades de chegar à presidência já são conhecidos dos eleitores argentinos, de longa data. O tempo tudo aclara e, visto da perspectiva de hoje e salvo algum sobressalto imprevisto, há três candidatos potenciais a se tornarem o supremo mandatário da República Argentina.

Dos três, tudo indica que Sérgio Massa perdeu densidade eleitoral, embora nada impeça em uma Argentina de surpresas, que recupere seu cacife eleitoral no próximo domingo. Com maiores chances estão o candidato peronista Daniel Scioli, governador da província de Buenos Aires, e Maurício Macri, prefeito da cidade de Buenos Aires.

A grande pergunta que fazem os analistas locais e de fora do país é se é possível deixar-se de ter, nessa eleição e nas próximas, um presidente peronista. O grande opositor do peronismo, a União Cívica Radical, governou somente dois dos últimos 27 anos desde a queda do governo militar.

Não foi sempre assim. De fato, a União Cívica Radical, fundada em 1891, governou o país nove vezes, com os presidentes Hipólito Yrigoyen, Marcelo de Alvear, Roberto Ortiz, Arturo Frondizi, José María Guido, Arturo Illía, Raul Alfonsín e Fernando de la Rúa. 

Da mesma forma que o Partido Justicilista que tem a maior chance de ganhar a eleição, a União Cívica Radical é um partido com diferentes alas e divisões internas. Dentro do mesmo partido abrigam-se correntes federalistas, liberais, nacionalistas, desenvolvimentistas e social democratas.

Deve-se a esse partido a conquista do sufrágio universal e secreto e a representação de grandes contingentes da classe média argentina.

Visto de longe, há espaço para m resultado peronista ou radical. O eleitor argentino decidirá entre a continuidade e a mudança. Se preferir a continuidade, elegerá Scioli; de optar pela mudança, colocará Macri na presidência.

Mas as coisas não são tão simples. Para vencer, é preciso combinar as duas tendências do eleitorado, de forma a contar com as duas preferências dos eleitores.

Por essa razão, o candidato da continuidade, Scioli, tem dois discursos, um para seu público interno kircheriano, mais firme nas teses peronistas. Outro mais moderado, voltado para o eleitor de classe média, tradicional votante no radicalismo.

Já o candidato da mudança, Macri, conta com os opositores de Cristina Kirchner e do peronismo em geral, mas precisa alargar seu eleitorado com votos dos segmentos mais populares dos eleitores, especialmente na província em que Scioli é governador.

Caso o eleitorado inclinar-se por enfatizar a economia, estará Macri em melhor posição para atrair eleitores fora de seu leito natural. Não é segredo para ninguém a extensão dos problemas econômicos do país, refletido, entre outros indicadores, na forte escalada do dólar.

Em contraposição, exceto em circunstâncias similares às que vivemos aqui, o partido no poder está sempre em melhor posição para ganhar eleições.

As primárias mostrarão se a primeira hipótese, a prevalência da economia, ou a segunda, o partido no poder, melhor sensibilizarão o eleitorado.

Seja qual a tendência detectada nas primárias, haverá tempo hábil para mudanças no discurso dos candidatos. Por fim, há também a considerar o desgaste da política junto ao eleitor argentino e dos dois candidatos, depois de exercerem os dois cargos mais importantes na vida do país.

Se chegado a esse ponto na leitura o leitor conclui que não tenho nenhum palpite firme sobre o futuro inquilino da Casa Rosada, está certo. As pesquisas de opinião mostram flutuações no ânimo dos eleitores. Fatos novos e de última hora ainda poderão influir para onde vão os votos.

O momento é muito mais de incertezas que de conhecimento. As primárias irão permitir dirimir muitas dúvidas, mas só na noite do próximo domingo teremos uma visão mais clara do se passou nos corações e mentes dos argentinos. E darão uma antecipação de quem poderá ser nosso principal interlocutor do outro lado da fronteira nos próximos anos.






Publicidade


Publicidade



Publicidade



Publicidade




Publicidade



Publicidade




Publicidade