Opinião

Dez razões para o impedimento de Dilma


O quadro que cerca o atual governo está de tal maneira deteriorado que são múltiplas as razões para que ele seja institucional e legalmente interrompido


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 21 de Setembro de 2015 às 13:00

  | Historiador


1. O governo da presidente Dilma, pelas suas ações ou as de seus membros de primeiro escalão, está sendo julgado ou investigado em três altas cortes do País, o STF, o TCU e o TSE. O curso das investigações, amplamente noticiado, indica que haverá condenação por uma das cortes, ou até por todas. Qualquer dessas condenações implode a governabilidade, como já está sendo percebido pela classe política.

2. A esmagadora maioria da população brasileira desaprova o atual governo, frustrada com o abismo entre as promessas de campanha eleitoral e a dura realidade econômica que se impôs ao País, e indignada com os prejuízos à coisa pública causados pela corrupção patrocinada pelo governo do PT.

3.  A crise econômica criada pelo governo do PT está sendo agravada pela maneira como este lida com ela, sinalizando mais impostos, particularmente a infame CPMF, e sem indicar, de maneira crível, a redução substancial de despesas públicas e a melhoria dos serviços à população.

4. A corrupção institucionalizada pelo governo do PT nos últimos treze anos é firmemente rejeitada pela sociedade brasileira, tanto por parcela majoritária da população, como organicamente pelas suas instituições, que veem na continuidade do PT no poder a continuidade da corrupção que sangrou o País.

5. A incompatibilidade entre o governo do PT e a base aliada que o sustentou nos últimos três mandatos presidenciais é irreversível, tendendo a se agravar pelo confronto com o Legislativo sinalizado pela insistência do governo em decretar aumentos de impostos.

6. Os prejuízos econômicos ao País estão se acumulando, agravando, e potencializando, à medida que se prolonga o impasse político que bloqueia as soluções para a saída da crise econômica. O aumento da dívida pública, a crise fiscal, o retorno da inflação e o expressivo decréscimo da atividade econômica em todos os setores criam um quadro potencialmente catastrófico que só pode ser evitado com medidas tomadas com base num consenso político e social que o governo do PT não tem a menor condição de obter.

7. O PT não tem mais coerência interna como agremiação política capaz de propor uma saída para a crise política e econômica em que o País mergulhou. A dissociação entre Lula, o criador, Dilma, a criatura, presidente e parlamentares do partido denota a prevalência de meros interesses pessoais, desaparecendo qualquer base programática na ação política do partido.

8. A degradação do perfil financeiro do País e de suas principais empresas e bancos no cenário internacional continuará a aumentar com a permanência do PT no governo e agravará substancialmente o desfavorável quadro econômico interno.

9.  Um governo fraco como o atual, desesperado por qualquer tipo de apoio, expõe o País a pressões internacionais por acordos lesivos ao interesse nacional e pode levar esse governo a concluir outros acordos absolutamente contrários à soberania nacional.

10. A sociedade brasileira, por sucessivas manifestações de massa, ampla expressão de opinião e iniciativas parlamentares de oposição, está dizendo claramente que não aceita pagar mais tributos ao governo do PT, por absoluta falta de credibilidade deste. A aceitação dos inevitáveis sacrifícios pela sociedade brasileira para superar a crise econômica do País passa pelo afastamento da presidente Dilma do poder, necessariamente pela via democrática do impedimento.