Opinião

Descaso intolerável


Na classe média já se verifica preocupante fuga de jovens, buscando oportunidades no exterior


  Por Aristóteles Drummond 24 de Janeiro de 2018 às 12:10

  | Jornalista


A pauta nacional está equivocada e apequenada por temas secundários perto do drama que vivemos para crescer no patamar dos demais países, diminuir o cruel desemprego, devolver a autoestima do povo e atrair investidores, pois quem oferece empregos e contribui para os cofres públicos são as empresas.

Não há notícia sobre o andamento da estrada que liga Cuiabá e Santarém, que escoa a safra da soja do centro-oeste e que este ano ficou interditada durante semanas pelas chuvas.

Faltariam menos de 300 quilômetros para ficar pronta –  ou ter trechos recuperados. As obras na Via Dutra e na Rio-Juiz de Fora, as duas entradas no Rio, estão paradas e operando com limitações. Belo Horizonte continua sem uma estrada que a contorne, para desafogar parte da cidade e melhorar as condições de mobilidade da produção.

O atendimento precário na saúde vive tal abandono que as tabelas do SUS não são corrigidas há mais de dez anos. Os recursos são insuficientes para cobrir custos, obrigando prefeituras e estados a colocarem verbas próprias – quando isso é possível, claro. Não existe mágica em termos de orçamento para dar dignidade ao serviço.

A reforma do sistema universitário federal não é nem cogitada, com aparente receio da habitual agressividade de mestres e alunos quando se trata de aplicar normas de austeridade e pluralismo.

O sistema falido, o ensino enfraquecido, num mundo em que a qualidade de vida e a sustentabilidade econômica dependem da pesquisa, do preparo da mão de obra.

A avaliação de nosso ensino é medíocre, entre as mais baixas do mundo.O Banco Mundial já se manifestou sobre o tema. Nosso agronegócio vingou a partir da EMBRAPA e do sistema EMATER nos estados. Hoje, laboratórios da primeira são vandalizados e ninguém é preso.

Estamos mal em relação aos demais países em quase tudo. Falta informação, conscientização, determinação para se encarar a realidade, com renúncia a preconceitos e um mínimo de humildade.

O planejamento que chegamos a ter, implantado por Roberto Campos entre 1964 e 1967, acabou. Antes, o Brasil tinha planos de metas a serem cumpridas. Hoje, não tem planejamento e muito menos execução.

Temos muito a meditar sobre o país que queremos para nossos filhos. Na classe média já se verifica preocupante fuga de jovens, buscando oportunidades no exterior, e homens aposentados ou com algum capital deixando o país. Isso é grave! 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio