Opinião

Demoras injustificáveis


Foi-se o tempo em que JK conseguiu quase atingir a meta de 50 anos em cinco. Hoje, levamos 50 anos para progredir cinco.


  Por Aristóteles Drummond 10 de Janeiro de 2018 às 11:15

  | Jornalista


No Brasil, as coisas demoram a acontecer sob todos os aspectos. Briga-se com a modernidade, na era da tecnologia de ponta, na competição acirrada entre países, quando empresas estão na busca do progresso e do lucro.
 
O ponto mais gritante é o Judiciário, com a morosidade dos processos., com códigos ultrapassados. Nossa Justiça do Trabalho, por exemplo, recebe anualmente mais de dois milhões de processos e a um alto custo para os cofres públicos. E tudo isso gera impunidade, insegurança, injustiça  e despesas.
 
No setor de obras públicas, a situação chega a fronteira do absurdo. O governo licitou a BR-040, no Trecho de Juiz de Fora a Brasília, sem licenças ambientais para a duplicação, inclusive de pontes – embora o bom senso induza a considerar ser de fácil obtenção, pois se trata de simples duplicação da existente.

Resultado: a concessão foi devolvida. No trecho do Rio a Juiz de Fora, uma pendência entre o TCU, a empresa concessionária e o DNITT parou as obras. Com isso, o que foi feito se deteriora e os trechos abandonados começam a ruir.

Na Via Dutra, a vergonhosa descida da serra das Araras regista acidentes diários, com seis quilômetros de traçado dos anos 1930.

A duplicação da subida também parece ser a solução mais fácil e rápida, sem problemas ambientais. Em Volta Redonda, só agora o contorno que liga a Dutra a Lucio Meira ficará pronto, depois de 20 anos de obras e conflitos judiciais. Belo Horizonte não tem até hoje o seu anel rodoviário,com um trecho recordistas de acidentes fatais..
 
Os projetos de reabertura do jogo, desde bingos a máquinas, oferecendo de imediato mais de cem mil empregos, está pronto para ser votado há mais de dois anos. Salvaria, inclusive, o turfe nacional, atendendo aos clubes com corridas em Porto Alegre, São Paulo e Rio, principalmente.
 
A burocracia é insensível. O limite de compras nas lojas conhecidas como free shops, nos aeroportos e alguns terminais marítimos, destinado apenas a viajantes, há mais de 30 anos tem o limite de 500 dólares.  
 
A recuperação das nascentes do São Francisco, prevista no projeto de transposição, nunca saiu do papel.
 
Enquanto isso, o mundo progride mais do que nós, que só temos mesmo tamanho e população, pois produtividade e competitividade estão fora dos padrões das 50 maiores economias do mundo.
 
Precisamos de um choque de bom senso, de patriotismo e de trabalho. Foi-se o tempo em que JK conseguiu quase atingir a meta de 50 anos em cinco.
 
Hoje, levamos 50 anos para progredir cinco.

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