Opinião

Deficiências na educação e algumas reflexões


Trabalho produtivo dá dignidade. É disso que precisamos. A solução é menos assistencialismo e esmola e mais oportunidades de trabalhos


  Por Charles Holland 13 de Outubro de 2020 às 19:54

  | Contador, empresário, conselheiro independente de empresas, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (ANEFAC)


Estamos enfrentando uma revolução de novas tecnologias nos processos de trabalho, administrativos e financeiros. Quase tudo o que é rotineiro vem sendo automatizado. Por exemplo, as novas formas de pagamento quase instantâneas - PIX -, e o fechamento de 20 mil agências bancárias em andamento vão desempregar milhões de pessoas.

Com milhões destinados ao desemprego como consequência da evolução tecnológica, o que fazer?

Precisamos de iniciativas para incrementar treinamentos focados em resultados, dando condições de empregabilidade para os interessados. O mundo mudou. Nossas habilidades e competências precisam ser atualizadas. Muitos empregos não são preenchidos por falta de pessoas qualificadas. É preciso abraçar a evolução necessária na grade de ensino.

Sem mudanças profundas e priorização da educação objetiva e prática em todos os níveis, estamos condenando a grande maioria dos brasileiros a ficar na miséria.

Nas mudanças necessárias e urgentes, precisamos adotar as melhores políticas e práticas mundiais usadas por países onde há histórico de desenvolvimento e crescimento acelerado sustentado. Fora do Brasil, educação é levada a sério e priorizada. 

A formação educacional no Brasil é predominantemente acadêmica, distante do mundo real e das necessidades no trabalho. Não estamos preparando pessoas para atender à demanda de mercado de trabalho.

Com raras exceções, o ensino do primário até a pós-graduação é de somente algumas horas de aulas presenciais, de manhã, à tarde ou à noite. Todos os países desenvolvidos e com pretensões de serem desenvolvidos exigem dedicação em tempo integral e focam mais o ensino prático para uso nos empregos.

Na pandemia de covid-19, o setor público fez quase nada na educação e na promoção de empregabilidade. Como todos os funcionários públicos continuam remunerados de forma integral, muitos puderam e continuam de braços cruzados aguardando as aulas presencias.

Os educadores do setor público ignoraram alternativas como a internet. O setor privado achou rapidamente soluções satisfatórias, através da educação a distância.

O Brasil gasta anualmente em educação pública 6% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse valor é superior à média dos países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 5,5%.

Apesar de gastar muito, os resultados são pífios comparados com o resto do mundo.

Com base no PIB oficial de 2019 de R$ 7,3 trilhões, o Brasil gasta R$ 438 bilhões anuais em educação. Antes da pandemia, o Brasil já estava nas últimas posições em avaliações internacionais de desempenho. Imagine agora!

Todos os funcionários públicos no Brasil têm regalias e privilégios diferenciados. Os seus salários são superiores aos do setor privado e não podem ser reduzidos, como podem e são no setor privado. Pasmem, nem podem ser desligados. Desta forma, poucos se sentiram coagidos a se adaptarem à educação a distância, A maioria das escolas e faculdades particulares optaram pela educação a distância, para assegurar continuação de remuneração e das aulas.                

O poder executivo atual foi eleito com uma agenda liberal – menos governo e mais liberdades para indivíduos empreenderem. Passados quase dois anos, avanços tímidos foram feitos para desburocratizar os negócios, privatizar empresas estatais etc.

A carteira de trabalho verde amarela que iria criar milhões de empregos continua na gaveta e nos planos de alguns. Se a maioria da sociedade permanecer calada, as mudanças e reformas prometidas continuarão distantes das promessas de campanha eleitoral vitoriosa de 2018.

O Brasil tem 213 milhões de indivíduos. Com carteira assinada são menos de 40 milhões na ativa. Empregados recolhendo impostos trabalhistas de forma plena, são menos de 20 milhões de indivíduos. Precisamos nos conscientizar de que precisamos de mais 50 milhões de pessoas empregadas para fazer o Brasil voltar a crescer efetivamente de forma sustentável.

Trabalho produtivo restaura e dá dignidade a todos os indivíduos. É disso que precisamos mais. A solução é menos assistencialismo e esmolas e mais oportunidades de trabalhos produtivos remunerados.

Nos últimos 40 anos os encargos trabalhistas aumentaram muito, o mesmo aconteceu com a informalidade. Criou-se PIS, COFINS, aumentou FGTS, encargos trabalhistas e muitos direitos assistencialistas para trabalhadores. Junto com mais funções centralizadoras de trabalho formal por parte do governo, tudo amarrado pelo e-Social. Consequência de tanta burocracia: o Brasil tem empregos e oportunidades insuficientes de trabalho na indústria e nos serviços.

Na agricultura, nosso carro-chefe na economia, a carga tributária permanece baixa, estimulando produção, mais empregos e riquezas para todos.

Nesta pandemia, com fechamento de empresas e reduções de jornadas, a performance da nossa economia, com base nos dados públicos divulgados, é razoável. É bastante intrigante.

O índice de inflação IGP-M, importante para todos, está divulgando inflação de 19,45% ao ano. O dólar subiu quase 40%. Para quem está bem atento, a inflação real é muito acima da inflação oficial divulgada publicamente.

Todas as aplicações em renda fixa estão com rendimento negativo. O grande beneficiado é o governo, que está financiando sua enorme dívida com juros negativos. A Selic, base mais comum para fixar remuneração das dívidas do governo, hoje está em 2,25% ao ano.

Minha recomendação: fiquem atentos. Até as eleições os preços medidos pelo IPCA e assemelhados vão permanecer baixos. Depois, já sabemos o que vai acontecer.

 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio





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