Opinião

De panelas e penicos


A soberba do PT e suas falsificações da história recente colocam o partido e o governo como depósito de matéria fétida


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 13 de Agosto de 2015 às 10:27

  | Historiador


A soberba petista é capaz de transformar panela em penico, como fez um seu conhecido adepto no dia seguinte de mais um monumental panelaço durante o programa do seu partido na televisão. Agride os que pagam pelo que é colocado na panela e não aguentam mais os que se enlameiam no penico.

Mas não serão os desaforos da marquetagem sustentada com dinheiro público que vão mudar o panorama do País. Quem se opõe ao atual estado de coisas continuará de panelas na mão, até quando for necessário.

Por sua vez, os defensores do indefensável que fiquem com os penicos de dinheiro que de tão imundo não houve lavagem que desse jeito. Agora o jeito é limpar o País com Lava Jato.

A soberba petista é tocada a desaforo que julga irrespondível. Pretende até que a oposição ao seu projeto de poder não tenha coragem de enfrenta-la, apodando-a de coxinha. Mas, apelando-se à boa petiscaria brasileira, é muito melhor ser coxinha do aquele pastel pouco honesto, cheio de vento, sem sabor e conteúdo, que infla vazio justamente quando é colocado no óleo quente da panela que o espera.

A soberba petista não respeita nada. É canhestra, fazendo boataria de uma reforma ministerial que, de tão tosca, pode, na verdade, agravar a crise e precipitar o impedimento da presidente que dois em cada três brasileiros desejam.

Grosseira, instrumentaliza uma convocação de “notáveis” em torno de um ex-presidente investigado. Embora ainda faltem alguns notórios dentre os “notáveis”, a fotografia é tão deprimente que não se sabe se é o caso de panela ou de penico.


A soberba petista é antiga. Não tem o que fazer e oferecer de novo. Convoca manifestantes pagos, distorce pelo absurdo fatos, até históricos, na imprensa que ameaça e inventa outros, pirotécnicos, na imprensa que compra. Enfim, mais do mesmo. Apela reiteradamente à intimidação, à cooptação, à extorsão e à perturbação das pessoas que não fazem parte de sua panela, mas que são tratadas como seus penicos.


A soberba petista é alienada. Na sua insistência em impor uma realidade que só viceja nos seus corredores palacianos, está levando o País ao precipício político, econômico e social, acumpliciada com aquele conhecido cinismo profissional que já tem um bom histórico de saltar da panela quando ela esquenta de verdade e, ao contrário das aparências até aqui, não tem a menor vocação para penico, no que, em bons termos populares, foi transformado o ministério de Dilma desde 2010.

Em meio à lamentável cena nacional, na qual um poder corrupto compra tempo corrompendo, em que a política falece como via de superação de uma crise grave, quando as principais lideranças se eximem das suas reponsabilidades republicanas, onde não cabem mais os diagnósticos de politicólogos e cresce sob um mar de almirante uma tsunami de indignação, que se apele à sabedoria popular capaz de sensibilizar os corações e as mentes de quem no País ainda dispõe dessa escassíssima combinação de poder, juízo e responsabilidade.