Opinião

Continua tudo errado


Os preços disparam. A comida começa a faltar. As pessoas estão desesperançadas, tristes, irritadas


  Por Paulo Saab 09 de Novembro de 2015 às 12:20

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Acredito que são poucos os brasileiros que pensam, hoje em dia, (se não forem todos) que ficam se perguntando, como diante de um quadro tão agudo de crise, descalabros, denúncias, processos e visível controle do poder no país, por forças organizadas para um projeto de dominação do estado e da sociedade, não possa haver mecanismos que detenham essa avassaladora agressão ao patrimônio público e aos valores morais de ética e decência dos brasileiros.

Enquanto a sociedade, --e aqui se incluem todos que são atingidos pela volta da inflação, do desemprego e de tudo de ruim que os anos do PT no poder têm imposto ao país (imposto em todos os sentidos da palavra)-- sofrem pagando as contas do descalabro, tudo na esfera do poder segue como se nada estivesse acontecendo.

Uns acusam os outros. As denúncias não param de vir à luz. Os processos arrastam-se. O STF, cujos juízes foram em sua hoje maioria indicados pelo PT, vai salvando o que poder. As CPIs são uma farsa. A mídia faz barulho sem eficácia.

Os acordos de salvação de um e outros unem inimigos políticos alcançados pela mão da justiça em sua sanha de enriquecimento ilícito.

E nada muda.

O governo não governa. Está jogando milhões de reais fora para comprar a simpatia da mídia, notadamente da Globo e emissoras de comunicação de massa.

Lula corre o país já em campanha para 2018 como se fosse vítima e não quase réu. Viaja, nunca em avião de carreira e não se sabe se seus gastos ainda são pagos pelas empreiteiras que o têm financiado desde os tempos de sua presidência.

E nada muda.

Todos eles, sem exceção, seguem a vida como se no dia-a-dia do cidadão comum, da dona de casa, nada houvesse se alterado.  E, acreditam, ainda, certamente, que esses reflexos, sejam por manifestações de antipatia da sociedade ou mesmo pelo voto, a começar do ano que bem, jamais irá alcançá-los.

Os escândalos de assalto aos cofres públicos se sucedem. Dinheiro a rodo que deveria estar sendo investido em educação, saúde, segurança, transportes, etc. é desviado para formar fortunas inimagináveis de políticos e empresários sem caráter.

Os preços disparam. A comida começa a faltar. As pessoas estão desesperançadas, tristes, irritadas.

E, na vida política, apesar da aparente capa de crise, nada muda. Tudo segue sua vida normal como se governar o país, dar satisfação à sua população, notadamente a mais sofrida, fosse desnecessário.

A propaganda oficial, se não serve, por ser mentirosa, para acalmar a irritação crescente, ao menos silencia a ênfase dos meios de comunicação, abarrotados de dinheiro público. Que falta aos investimentos sociais.

Ou são todos de fato irresponsáveis, ou são como o bandido que nunca cogita da hipótese de que será preso. E se for, dá um jeitinho de safar-se, se unindo ao adversário, numa identificação de práticas comuns.

Está tudo errado.

Dizem que as instituições funcionam plenamente dentro da democracia brasileira.

Jogo de palavras para encobrir aos engodos que preservam os direitos, sempre invocados, a legitimidade, a legalidade, de quem sangra o país em seus recursos enquanto de outro lado enriquecem?

Ou querem sangrar no sentido extado da palavra, fazer jorrar sangue de verdade?

Sou contra todo e qualquer tipo de violência e de descumprimento da lei.

Mas que raio de leis são essas que dão cobertura para quem está aos poucos destruindo o país para subjuga-lo e dominá-lo de forma perene e não há mecanismos jurídicos nem políticos que não sejam controlados pela chicana e manobras de bastidores?

E mais uma coisa: estou a cada dia que passa sentindo a mesma indignação que a sanha petista provoca em relação à “oposição”.

Até eu, com tanto matéria disponível, seria mais competente do que os que se denominam oposicionistas ao PT.

Desalento geral.

O que fazer?

Esperando o sangue sair das páginas policiais para ir para as políticas? Sociais?

Isola.