Opinião

Constatação para a História


Eliminando do debate, por naturais controvérsias, a questão da repressão e da subversão, podemos concluir, com segurança, que o Brasil viveu anos dourados e com um time de craques


  Por Aristóteles Drummond 19 de Janeiro de 2016 às 08:00

  | Jornalista


No Brasil em que vivemos, os mais injustiçados dos brasileiros são os militares.

Assistimos a um martelar incessante em relação a eventuais e mesmo que prováveis excessos na luta contra os militantes da chamada “luta armada”, que, como a denominação assume, se tratava de ações armadas, sequestros, assaltos a bancos.

Houve até três guerrilhas, no sul de São Paulo, Vale da Ribeira, na Serra do Caparaó, no Espírito Santo e no Araguaia, no centro-oeste.

O que se conclui é que desse enfrentamento só podemos lamentar as feridas de ambos os lados. Melhor seria o Brasil ter sido poupado desses embates, menores na dimensão, mas que causaram perdas de vidas e muitos ressentimentos.

No entanto, os 21 anos do regime, dez dos quais sob um ato de força, o AI-5, muita coisa foi feita de positivo em termos de desenvolvimento econômico e social, de exemplos de austeridade e visão de futuro, como a construção, em parceria com o Paraguai, de Itaipu,  do presidente Médici e da competência de nossos diplomatas, a época comandados pelo impecável Gibson Barbosa.

Assim como o acordo nuclear com a Alemanha, Tucuruí, Balbina, a zona franca de Manaus, os aeroportos do Rio, Manaus e de Guarulhos, a estrada Cuiabá-Santarém – ainda dependendo de asfalto em boa parte – e outras obras que nos deram a infraestrutura que temos.

Eliminando do debate, por naturais controvérsias, a questão da repressão e da subversão, podemos concluir, com segurança, que o Brasil viveu anos dourados e com um time de craques.

Nomes que a sociedade reverencia e respeita. Para comprovar, basta citar alguns com alto nível de reconhecimento, como, na economia, Roberto Campos, Otávio Bulhões, Mário Henrique Simonsen, Ernane Galveas e o fantástico Delfim Netto, até hoje em atividade.

Nas grandes obras, o campeão Mário Andreazza, mais Eliseu Resende, Cesar Cals e Costa Cavalcanti, entre outros. Na Educação, dois dos melhores nomes passaram no setor, a professora Ester Figueiredo Ferraz e o General Ruben Ludwig. E, em outros ministérios, homens que compõem a galeria de brasileiros ilustres como Pedro Aleixo, Bilac Pinto, Aureliano Chaves, José Maria Alkmin, Magalhães Pinto, Juraci Magalhaes, Eduardo Portela, Leitão de Abreu, Marco Maciel, Gonzaga Nascimento e Silva, Hélio Beltrão e tantos mais.

Uma observação a ser meditada pelos que acompanham a política no Brasil contemporâneo. Sem saudosismo e sem volta ao passado.