Opinião

Conhecimento ou instinto? Você é Indiana Jones ou Rambo?


Nas Rodadas de Negócios da Associação Comercial, percebo que certamente mais de 70% não sabem reconhecer o tamanho do problema, qual a força com que devem frear ou a hora de acelerar


  Por Michel Wiazowski Rocha 02 de Agosto de 2016 às 11:15

  | Mestre em Administração pela PUC-SP e Diretor Superintendente da Associação Comercial de São Paulo – Distrital Nordeste


Já vi estatísticas sobre acidentes de trânsito em que mais de 70% dos casos os motoristas não frearam o máximo que poderiam.

Se soubessem o resultado, se tivessem outra chance, certamente os condutores teriam realizado todo o esforço possível no pedal dos freios. Dessa forma, os danos poderiam ser significativamente menores.

No mundo empresarial raramente teremos uma segunda chance. É necessário reconhecer uma oportunidade ou risco potencial, em pouco tempo tomar decisões que nos fazem ir para crescimento ou declínio.

Não existe uma fórmula, mas devemos estar sempre nos preparando, para quando houver a necessidade, possamos abraçá-la. Isto se aplica em especial a situações de crise e recessão, onde os mais preparados, inovadores e eficientes sobrevivem.

Se o mar está revolto, certamente o que tem mais folego e técnica vai mais longe, e neste caso precisamos sobreviver às ondas para estarmos firmes na calmaria.

Nas Rodadas de Negócios da Associação Comercial, tenho acompanhado diversos relatos dos empresários e percebido que certamente mais de 70% não sabem reconhecer o tamanho do problema, qual a força com que devem frear ou a hora de acelerar.

Em todos os treinamentos de que participei ou ministrei sobre sobrevivência na selva, a primeira e mais importante era ESAON, em caso de estar perdido na selva. O que fazer: Estacione, Sente-se, Alimente-se, Oriente-se e Navegue.

Essa era a dica, não tem meio perdido ou quase perdido. Assim como nas empresas, na mata as pessoas morrem por não acreditarem no perigo, vão levando e acham que logo tudo ficará bem.

Nas Rodadas de Negócios temos debatido muito sobre acreditar no tamanho do problema e se preparar para ele.

No comércio as vendas caíram, o proprietário, para economizar, começou a deixar as luzes apagadas durante o dia. Logo com o declínio das vendas dispensou as ajudantes, depois começou a não vender no crédito pelo prazo para receber.

Antes de devolver a maquina para o banco, economizando assim com taxas, certamente a este ponto também já não esta repondo estoque. Passado um tempo, o cliente entra na loja e depara com prateleiras vazias, e os poucos produtos que lá estão,  já empoeirados pela falta de ajudantes.

Por sorte não se enxerga muito a poeira, devido à falta de claridade da loja, e por fim não leva pois não carregava consigo o valor em dinheiro necessário para a compra.

É claro que isto é ao longo do tempo, a intenção é reduzir os custos à curto prazo e ir segurando até que o mercado volte ao normal. Quando percebe o risco já é tarde.

A regra de sobrevivência segue esta linha: como não sabe o que irá enfrentar, pare, ganhe fôlego, planeje suas ações e avance.  No caso acima o comerciante poderia ter iluminado mais sua loja para chamar mais atenção, melhorado as condições de pagamento, que certamente iria demandar mais ajudantes, o que por final iria melhorar sua margem mercantil.

Certa vez conheci um palmiteiro, que ficou oito dias perdidos na mata. Se um palmiteiro se perde na mata, não há know how que nos isente de passar por dificuldades, o que observei foi a serenidade que lidou com a situação;

Na hora o meu primeiro pensamento foi uma mistura de Rambo com Lagoa Azul, e como fazer fogo, uma cabana e armadilhas de caça até ser encontrado.

O pensamento dele não, ele estava preparado e não ia esperar, ele  encontraria a saída, pois não sabia se dariam por falta dele, e se dessem, por onde iriam procurar.

Tal qual Indiana Jones, naquele momento estava sozinho, mas preparado, encontrou um rio, onde dormia no meio dele em cima de uma pedra, pois lá estava protegido de animais, durante o dia seguia o rio e se alimentou de palmitos e outras plantas.  

O planejamento e seu conhecimento foram essenciais, pois possuía apenas uma faca como ferramenta, não tentou inventar, fazer fogueiras e etc. Pensou em sair de sua crise. Se ficasse parado no lugar esperando ser encontrado teria morrido de fome e certamente com vergonha de ser do ramo e por não acreditar na real situação em que estava.

Neste caso ele andou por mais de 40 km e se encontrou em Pedro de Toledo.

Se ele tivesse celular, GPS e outros itens que funcionassem na mata, pois o sinal  já falha na cidade, certamente as ferramentas facilitariam sua sobrevivência.

Mas se estivessem em um grupo, será que ficariam todos parados, ou um iria aconselhar e ajudar ao outro e todos sobreviveriam, talvez com mais rapidez, conforto e segurança?

Na realidade empresarial, não temos um vencedor, há espaço para todos. Está acontecendo um movimento de ajuda, onde todos podem sobreviver.

A beleza das Rodadas de Negócios tem sido um comerciante ajudando o outro, vendendo ferramentas, onde o que comprou aumentou suas vendas, que aumentou a demanda da indústria e todo este esforço está fazendo a roda da economia girar.

São centenas de grupos que se associam para fazer negócios, todos estes grupos seguem girando esta roda, as associações agregam a estes grupos expertise, trazem mais bagagem e conhecimento para reconhecer este cenário.

Devemos ter conhecimento para reconhecer a força e a hora de acelerar, evitando acidentes, passando pelas dificuldades e nadar de braçada na economia estabilizada.





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