Opinião

Como será 2021?


A grande maioria dos terráqueos, pode ter certeza, são hoje mais desinformados do que no tempo em que apenas as elites políticas e econômicas detinham as informações


  Por Paulo Saab 13 de Janeiro de 2021 às 18:23

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Nunca as previsões para um ano novo, ao menos para quem não é dado a antecipar o futuro pelos meios especializados, foram tão nebulosas como para esse ano de 2021.

Antigamente – e não faz tanto tempo assim, pelo avanço da tecnologia - se dizia que quem era otimista ou era ingênuo ou desinformado. Neste momento da vida nacional, e do mundo, no instante da história em que a humanidade nunca teve acesso tão aberto às informações de modo geral, sabe-se muito pouco da realidade, por conta da manipulação das informações e seu uso como instrumento de batalhas ideológicas, de dominação e de poder.

Quem disser hoje em dia que é bem informado, mesmo bombardeado instantaneamente por uma chuva de informações ou desinformações, pode estar sendo apenas e unicamente um meio ingênuo de propagação da verdade de outro alguém, distorcida e maldosa, para fins escusos de quem a divulga. Seja pessoa física ou jurídica.

A humanidade vive uma quadra diferente, pelo menos, das últimas cinco décadas, onde as transformações, também decorrentes da verdadeira revolução tecnológica do mesmo período, impactam ao mesmo momento as mais diferentes regiões, raças, nacionalidades e interesses em cada canto do planeta.

Em meio a essa propagação da busca da igualdade, dentro, ainda de uma profunda diversidade, e, talvez, até motivada por essa mesma tecnologia, assiste-se à uma pandemia nascida no início de 2020, estendida até agora e sem visibilidade de seu momento de arrefecimento no mundo.

Impactos profundos, até brutais, nas vidas dos países, seus habitantes, de cada ser sobre a face da Terra.

A mesma pandemia provoca, em si mesma e possivelmente como subproduto da guerra de poder (econômica, política, ideológica) uma disseminação de inverdades, meias-verdades e as agora chamadas fake news, traduzidas como notícias falsas, que deixam cada um de nós sob uma montanha de informações incoerentes, dispersivas, acumuladas, formando um verdadeiro caleidoscópio de ilusões de imagem e fatos.

A grande maioria dos terráqueos pode ter certeza: são hoje mais desinformados do que no tempo em que apenas as elites políticas e econômicas detinham as informações, as privilegiadas, e as propagavam (ou usavam) via a mídia convencional de então.

Quem tem poder e informações reais hoje em dia do que está acontecendo e também do que está por trás dos fatos que de algum modo enxergamos no mundo todo, não tem visibilidade. Tem braços escondidos atrás de grandes grupos e corporações. Mesmo grande parte dos países tidos como mais desenvolvidos do mundo, têm sido reféns ou vítimas, ou massa de manobra, de acontecimentos que nem seus antes apurados meios internos de inteligência têm entendido o que se passa. Ou estão por trás de tudo que se passa. Quem vai saber? Ou melhor, dizer?

Repare o leitor que até agora estou no campo das observações, suposições, verificações nas conversas com pessoas importantes e leituras a que tenho acesso.

Como, nesse clima, se pode tentar prever o que acontecerá nos próximos meses, ao longo deste ano?

Aquela velha regra aprendida nos tempos já distantes em que o ensino médio se dividia em Científico, Clássico e Normal, das CNTP, Condições Normais de Temperatura e Pressão, hoje parece se aplicar exclusivamente no campo da física, da química e olhe lá.

Quem dos que me leem nesse momento, ousaria dizer que está bem informado, sabe o que e como as coisas irão se passar e se sente confortável, seguro, para tomar decisões pessoais e profissionais? Ainda mais barbudo, de bermudas e camiseta velha, preso em casa na exigência antecipada da modernidade, do home office?

Nem eu que acompanho há 40 anos a cena nacional e internacional, também por dever de ofício, e que me obrigo a fazer barba e tomar banho todos os dias, usando ao menos uma camisa social, mesmo que de bermudas, esperando a hora de dividir o tempo com o escritório de trabalho, me atreveria a fazer, como não fiz e não farei, qualquer tipo de previsão sobre a política, a economia, a educação, o meio-ambiente, as artes, enfim, a vida nacional. Do mundo, então...

E você leitor?  Feliz 2021.

*As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio 






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