Opinião

Começo de ano


Não se pode esperar mais. Não é justo que as disputas políticas ou aventuras na economia sacrifiquem mais o povo, já sofrido, desprotegido e também endividado


  Por Aristóteles Drummond 05 de Fevereiro de 2016 às 09:00

  | Jornalista


A próxima segunda-feira marca, de fato, o início do ano no Brasil. Até o carnaval, fica-se por conta do rescaldo das festas de final de ano, das férias de verão, dos preparativos carnavalescos. Agora é o momento de recuperar o tempo perdido com esta tradição tropical.

Mais do que nunca vivemos um momento de urgências. São várias frentes que pedem uma mobilização nacional para que a situação não se agrave mais ainda. Nenhum país ou empresa aguenta crises sem fim, debilitando econômica, financeira, política e socialmente a sociedade. Ainda mais agora, neste mundo de alta competição e rápida comunicação.

O Brasil está com sua imagem muito prejudicada. Aparece no noticiário internacional como o país do Zika, dos escândalos de corrupção, da economia estagnada. Não temos investidores dispostos a apostarem na nossa recuperação, ativos são vendidos depreciados, os papéis no mercado de revenda com grandes deságios.

Até o final do semestre, acredita-se em novos rebaixamentos das agências. E algumas das nossas maiores empresas com dificuldades na simples rolagem de suas dívidas.

Logo, temos de superar ambições políticas, colocar em um nível mais elevado o debate, melhorar a qualidade das ações públicas, especialmente no campo da economia e a contribuição das oposições na busca de um ponto comum que leve a paz, mantenha a ordem e traga um mínimo de alívio nas dificuldades na economia. O caos não pode interessar a ninguém.

As propostas devem ser realistas, desprovidas de preconceitos ideológicos ou partidários. O drama nas contas públicas não é apenas na esfera federal, mas também nos estados e municípios, muitos dos quais já sem honrar compromissos, inclusive de pessoal.

Protestos de categorias mais organizadas vêm provocando greves e manifestações de rua que agravam as dificuldades. Por mais justas, toda e qualquer reivindicação que onere empresas e entidades publicas são inoportunas.

Não se pode esperar mais. A retomada pela via de medidas concretas urge. Não é justo que as disputas políticas ou aventuras na economia sacrifiquem mais o povo, já sofrido, desprotegido e também endividado. E o desemprego podendo saltar nas próximas semanas para patamares dramáticos.

Emoção e intransigência nesse momento é uma atitude elitista, egoísta e impatriótica.