Opinião

Combate aos crimes contra o meio ambiente


Houve intensa fiscalização sobre palmiteiros, tráfico de animais e suas feiras clandestinas, além da abominável prática de soltar balões. Da série 400 Dias de Liberalismo no Meio Ambiente


  Por Ricardo Salles 26 de Abril de 2018 às 09:29

  | Ex-Secretário do Meio Ambiente e Presidente do Movimento Endireita Brasil


A Polícia Militar Ambiental é um dos braços do Sistema Ambiental Paulista, encarregado de fiscalizar a supressão irregular de vegetação e demais atividades que tenham potencial de contaminar o solo, o ar e a água, dentre as formas de degradação ambiental.

Logo após assumir a Secretaria do Meio Ambiente, decidi apoiar fortemente as atividades da PM Ambiental através não apenas de recursos e equipamentos -novo fardamento, novos veículos e troca de local de instalação do antigo comando da Polícia Ambiental -, mas, também e principalmente, de uma mudança de postura, deixando de ser uma atuação formal para passar a agir de fato e em intensas ações de fiscalização e combate aos crimes ambientais.

Pude contar, para tanto, com o apoio do Secretário de Segurança Pública, que a meu pedido substituiu o então comandante da PM Ambiental, um bom oficial, mas de perfil distinto daquele que precisávamos no momento.

Trouxemos para essa nova realidade um novo comandante mais talhado para as ações de campo: menos honrarias, palestras, cursos, hinos e medalhas, e mais ações de combate ao crime ambiental, esse era o lema.

Ao passar a sujar mais o sapato, a tropa ambiental surpreendeu! Foram centenas de operações de fiscalização de aterros clandestinos - onde há farto descarte irregular de caçambeiros controlados pelo crime organizado -, de defesa das áreas de mananciais, então desmatadas sem cerimônia por invasores, muitas vezes em parcerias com vereadores e líderes políticos locais que usam tais expedientes como moeda de troca eleitoral.

Passamos a recolher os tratores, caminhões e máquinas usados para a prática dos crimes ambientais, o que até então não se fazia, pois ficavam os próprios infratores como depositários de tais equipamentos, proporcionando a continuidade delitiva. Tais apreensões foram depositadas em pátios da SMA e, posteriormente ao processo de perdimento, destinadas às prefeituras, justamente para ações de defesa do meio ambiente.

Entre as ações adotadas, fizemos também uma intensa atuação contra empresas clandestinas de reciclagem de material de sucata, que tiravam água dos rios para suprir as máquinas clandestinas e, depois do uso, devolviam o material contaminado aos rios, sem nenhuma cerimônia.

Passamos a fiscalizar mais o tráfico de madeira, com abordagem de caminhões e depósitos e fiscalização intensa contra esse seríssimo crime contra o meio ambiente. Aliás, esta é a melhor forma de contribuir para a diminuição do desmatamento da Amazônia: coibir o mercado irregular de madeira clandestina.

Promovemos, ainda, uma salutar aproximação do setor rural com a PM Ambiental, de forma que ambas as partes pudessem explicar à outra os desafios e oportunidades de cooperação mútua, fato que gerou grande sinergia e contribuiu sobremaneira para a preservação do meio ambiente no campo.

Aliado a tudo isso, houve intensa fiscalização sobre palmiteiros, tráfico de animais e suas feiras clandestinas, além da abominável prática de soltar balões, uma bela iniciativa do comando ambiental, gerando prisões e apreensões exemplares aos criminosos que colocam em risco de incêndio e acidente aéreo uma parcela significativa da população.

Tudo isso só foi possível em virtude de uma mudança de postura e mentalidade, claramente abraçada pela brava tropa ambiental e aplaudida pela sociedade, atenta a essas mudanças e à atuação mais aguerrida da Polícia Militar Ambiental. Com boas práticas e otimização de recursos financeiros e humanos, conseguiremos mudar o cenário ambiental brasileiro.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio