Opinião

Cinismo petista escancarado


Petismo é bom para quem está no poder com o PT. Seja em que cargo for. Esbaldam-se nas verbas públicas


  Por Paulo Saab 15 de Novembro de 2015 às 16:23

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Em reportagem assinada por Frederico Vasconcelos a Folha de S. Paulo publicou na página A14 da edição deste domingo (15/11), dia da República, a informação de que o petista Dias Toffoli, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) recebeu  este ano cerca de R$ 115,8 mil a título de diárias da corte que preside. Só em junho foram cerca de 35 mil reais contra o salário do próprio ministro de 33,7 mil. Ganhou mais de diária do que do vencimento normal.

A título comparativo menciona a reportagem que a presidente antecessora de Toffoli, ministra Carmem Lucia, recebeu de diárias cerca de R$1,132 ao longo de toda sua gestão.

Um escárnio.

Petismo é bom para quem está no poder com o PT. Seja em que cargo for. Esbaldam-se nas verbas públicas.

Não se pode dizer que são exclusivos na prática da corrupção. Da imoralidade, do desrespeito à coisa pública que assumem para si como assumem os cargos nos quais se beneficiam, legal ou ilegalmente. Extrapolam, todavia, sem limites.

O maior escárnio, porém, vem do cinismo das alegações de defesa dos atos praticados. Assim como o PT diz que os milhões de reais desviados dos cofres públicos para abastecer o partido, aliado$, seus membros e quadrilhas envolvidas, são doados legalmente, a instituição TSE, dominada pelo petismo, sai em defesa de seu integrante na presidência, com uma bazofia de insinceridade comum no petismo de Lula.

Alega o TSE que os pagamentos de diárias feitos ao ministro Tóffoli, oriundos do PT, seguem norma interna da instituição.

Oras bolas, quem faz as normas internas do TSE?  O próprio TSE. Essa desculpa é esfarrapada, ofensiva à mínima inteligência nacional e revela o pensamento –e a prática- do lulopetismo na extração do tesouro pátrio em favor deles mesmos.

Que as normas internas sejam feitas então por outro órgão. Congresso Nacional, por exemplo. Sabe-se da suspeição da Casa, mas seria melhor do que deixar os togados definirem o que pagam para si.

Esse tipo de comportamento e os arrazoados que o defende fazem do Brasil de hoje, na era lulopetista, da qual Dilma é só coadjuvante menor, um país orientado para as más práticas de gestão e de caráter.

A sofrida população brasileira, a mais pobre, em nome da qual agem os espoliadores do tesouro público, a título mentiroso de defendê-la, é a mais atingida pelo desatino dos poderosos de plantão. Que desejam perpetuar-se em sua sanha por dinheiro, especialmente o sujo e poder.

É um descalabro no Dia da República constatar-se que quem foi eleito e designado para defendê-la, comete toda sorte de atrocidades contra a “res pública”. Não há mais pudor ou constrangimento.

As defesas de qualquer barragem moral foram rompidas e mal comparando (com todo o respeito ao que ocorreu e ocorre em Minas Gerais, com a barragem rompida) o lamaçal percorre o Planalto e espraia-se pelo país afora, cobrindo de vergonha a República brasileira.