Opinião

Chega de mentira!


Em meio a tanta mentira, de que um lado está sempre errado, em tudo; e o outro sempre certo, mais do que tudo, é preciso desmascarar as matrizes da mentira


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 21 de Setembro de 2018 às 08:00

  | Historiador


A eleição no Brasil chegou ao paroxismo da mentira.

Mentira profissional de quem devia informar.

Mentira ideológica de quem só vê o opositor como inimigo.

Mentira grosseira de quem desrespeita a inteligência dos outros.

Mentira arrogante de quem pretende se impor às pessoas pela mentira.

Mentira não contra tal ou qual candidato, mas contra a eleição, a democracia e o Brasil.

Mentira de fora, pregada em comitês da ONU e na imprensa internacional, articulada por brasileiros que deviam defender o Brasil e não subjuga-lo aos interesses da esquerda mundial.

Mentira de dentro, plantada em tudo que se lê, ouve e comenta no País, capaz de omitir fatos, inverter os papeis e falsear conclusões.

É mentira demais. Cínica e desavergonhada ao ponto de despertar a mais indignada reação em quem, por princípios ou convicções, rejeita firmemente  que a campanha eleitoral de uma democracia possa acontecer pela marquetagem da mentira.

Em meio a tanta mentira, de que um lado está sempre errado, em tudo; e o outro sempre certo, mais do que tudo, é preciso desmascarar as matrizes da mentira.

A primeira grande mentira é que a escolha entre o deputado federal Jair Bolsonaro e o ex-prefeito Fernando Haddad seja o confronto de opções radicais.

Basta ler os respectivos programas de governo, oficialmente divulgados, para cada eleitor constatar, por si próprio, que o Brasil deve escolher entre a liberdade e a ditadura.

De um lado  temos um programa que defende a liberdade, a propriedade privada e a família, através do respeito à Constituição e às leis. Um programa liberal por que é personificado em um candidato que defende as liberdades econômica, política e pessoal, ao contrário dos falsos liberais que sufocaram a livre iniciativa, compraram a política e deixaram o crime acuar a população.

O liberalismo nunca foi um clube de diletantes.  O liberalismo, ao longo da História, sempre foi a luta pela liberdade, uma prática existencial que demanda princípios e coragem para defende-los.

Do outro lado temos um  programa  que realmente não  faz a menor questão de esconder o que seu candidato é, o que quer e o que fará se eleito. Coincidentemente, em sua página 13, está lá com todas as letras que “referendos revocatórios serão necessários para dirimir democraticamente as divergências entre os Poderes Executivo e Legislativo sobre esse entulho autoritário”, na prática o emparedamento do Congresso; e ainda que “é preciso instituir medidas para estimular a participação e o controle social em todos os poderes da União (Executivo, Legislativo e Judiciário) e no Ministério Público, condição fundamental para o equilíbrio de poder”. Aqui, caberia a palavra ao TSE.

Na história política, poucos partidos terão sido tão claros como o PT no seu projeto de sovietizar a sociedade que intentaram dominar.

A segunda mentira-matriz é a falácia da ingovernabilidade, caso vença a eleição o deputado federal Jair Bolsonaro.

Em vários momentos de sua História, o Brasil mostrou que sabe se conjurar contra as ameaças. E se há alguma coisa claríssima neste momento caótico é que o Brasil está ameaçado pelo colapso fiscal, pelo crime e pela corrupção.

Não há nenhuma razão para de antemão descrer que os poderes da República se unam em torno de um programa de salvação nacional apresentado ao Congresso por um governo democraticamente eleito que o conduza com determinação dentro do arcabouço constitucional do País.

E, finalmente, a mãe de todas as mentiras. O descaramento de a pós-chapa Lula/Haddad e sua versão chapa-poste Haddad/Manoela constituírem uma opção legítima e democrática.

Em um país com instituições consolidadas e funcionando normalmente, um partido que teve dois ex-presidentes da República, onze ex-ministros de Estado, quatro de seus ex-presidentes e três de seus ex-tesoureiros presos, condenados, investigados ou réus; que afrontou, de todas as maneiras, a Justiça; que foi responsável pelo maior escândalo de corrupção da História; e que causou inegáveis prejuízos ao interesse nacional já estaria com seu registro cassado e definitivamente banido do cenário politico.

Não caros mentirosos, o Brasil não sofrerá um desastre se o deputado federal Jair Bolsonaro vencer as eleições.

O País não se tornará a ditadura caricata de seus delírios e preconceitos.  Poderá sim vencer politicamente o radicalismo chantagista, criminoso e assassino da ideologia que empestou todo o século XX, que só subsiste em mentes perversas e que continua subjugando as pessoas em Cuba, Venezuela, Coreia do Norte e China.          

O País não se tornará ingovernável por ter repudiado o presidencialismo de corrupção. Poderá reconstruir sua política a partir do resgate moral e cívico, tanto de seus cidadãos perplexos como de suas instituições aparelhadas, depois de décadas de relativismo, pusilanimidade e incompetência.

O País não deverá capitular a uma seita de criminosos travestidos de muitas coisas dispostos a desafiar o governo, a sociedade e a Nação. Poderá enfrentá-los no campo das ideias, no campo político e no campo moral, exprimindo a vontade da sociedade brasileira.

Sim caros mentirosos, a vocês todos só resta mesmo um apelo.

Em respeito ao Brasil, chega de mentira!

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio