Opinião

Chega de luxo


As autoridades públicas querem ser tratadas como seu fossem nobres, quando são, na verdade, representantes dos plebeus, da massa, e dos que pagam escorchantes impostos


  Por Paulo Saab 08 de Outubro de 2015 às 11:57

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


A Jovem Pan está com mais uma campanha de utilidade pública no ar que merece e está recebendo a adesão dos brasileiros cansados de pagar tantos impostos, taxas, tarifas, emolumentos, altíssimos, que servem, no final das contas, para sustentar as mordomias dos que deveriam estar trabalhando em benefício desses mesmos que os pagam, mas trabalham, no mais das vezes, para si próprios e seus grupos ou partidos políticos.

Meus leitores sabem que há anos defendo o fim de mordomias sem sentido num país de população ainda majoritariamente pobre.

É uma afronta aos sacrifícios dos brasileiros que gastam horas do dia em transporte coletivo precário, não encontram atendimento de saúde digno, quando encontram algum, não encontram vagas para seus filhos nas escolas, e não têm onde morar de forma decente.

As autoridades públicas, pela herança cultural de um dia o Brasil ter sido colônia de um reino, depois vice-reino, reino e império, querem ser tratadas como seu fossem nobres, quando são, na verdade, representantes dos plebeus, da massa, e dos que pagam escorchantes impostos. Mais do que isto, são empregados dessa mesma massa e desses mesmos pagadores de impostos.

Os benefícios de moradia, automóvel, motorista, paletó, aposentadoria integral, refeições, viagens, são escandalosos para não dizer pornográficos, diante do sofrimento da massa populacional para quem estes felizes, ou infelizes, dignatários, nos Três Poderes da República, deveriam trabalhar.

A campanha da Jovem Pan, veiculada em seu programa Radiatividade, é um serviço público da mais alta qualidade e utilidade para o país, e deve merecer o apoio de toda a sociedade brasileira, no sentido de que os dirigentes públicos, eleitos, concursados, indicados, de todos os níveis e escalões do poder público, comecem a viver, como todos os demais brasileiros às expensas apenas de seus salários, honorários, seja o quer for.

Chega de luxo. Se quiserem luxo, que paguem por ele de seus bolsos. Chega de explorar os brasileiros comuns.