Opinião

Chega de demagogia


Eficiência e competência favorecem o controle do nosso dinheiro. Não devemos esquecer que a verba do governo vem de nossos impostos


  Por Aristóteles Drummond 14 de Março de 2018 às 15:21

  | Jornalista


Ao invés dessa pauta eleitoral demagógica, que apequena a nossa democracia e humilha nosso povo, deveríamos produzir um grande plano comum de gestão pública para ser adotado por mais de um candidato. Os brasileiros não podem ser tratados como ignorantes que caem no palavreado vazio dos demagogos.

A população está desgostosa com seus eleitos, decepcionada com o tamanho da roubalheira, sofrida com o mal atendimento do setor de saúde, convivendo com o desemprego presente em praticamente todas as famílias e assustada com a violência. Mas, apesar de tudo, amadureceu na capacidade de perceber o que deve ser feito para melhorarmos como Nação séria e justa.

A sociedade está pronta para entender que a melhora passa pelo sacrifício de alguns. E estes estão nas classes mais altas; não nos menos favorecidos. Exemplo é o lamentável adiamento da reforma da previdência, que só afetaria, em aprovada, quem ganha mais de cinco mil reais.

Temos de simplificar os tributos, a começar pelo Imposto de Renda, que leva à loucura, todos os anos, dezenas de milhões de brasileiros que declaram, levados a uma minúcia que beira o absurdo. Um contribuinte de classe média tem de declarar até o dinheiro que tem em casa, inclusive divisas para viagens, em importâncias insignificantes, quando deveria ser acima de determinado patamar. Precisa ainda relacionar quadros e esculturas, por exemplo, muitas herdadas.

Hoje, com o grau de avanço tecnológico, seria muito fácil um controle eletrônico, com mais impostos nas pontas da produção e do consumo. Assim, seriam eliminados a burocracia e o terror de ameaças do fisco e de cobrança de imposto sobre a valorização de ativos mobiliários ou imobiliários. Isso torna o Estado sócio do cidadão nos lucros, mas não nos prejuízos por perdas de mercado ou deterioração de imóveis pela desordem urbana leniente com invasões e criação de comunidades que levam famílias a perdas do que foi construído com muito sacrifício.

Temos de acabar com a mentalidade de obedecer a ideias superadas em todo o mundo. Precisamos privatizar o que pode ser feito pelo setor privado, incluindo saúde e educação, via contratos e bolsas, sob severo controle da qualidade e dos valores. Não é possível a diária de um paciente do SUS na rede privada ser inferior a 20 reais, com refeições, roupa de cama, banho, remédios e atendimento médico. Algo deve estar errado, claro. As Santas Casas e outras entidades sem fins lucrativos são exploradas pelas tabelas irreais e vivem mergulhadas em dificuldades.

Eficiência e competência favorecem o controle do nosso dinheiro. Não devemos esquecer que a verba do governo vem de nossos impostos.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

Foto: Agência Aleac