Opinião

As razões da crise


O Brasil apresenta um quadro recessivo de difícil reversão por alguns poucos, mas relevantes, motivos


  Por Aristóteles Drummond 18 de Novembro de 2015 às 12:05

  | Jornalista


A crise na economia deve se agravar até o final do ano. Independentemente do quadro externo e do evoluir dos problemas políticos. O Brasil apresenta um quadro recessivo de difícil reversão por alguns poucos, mas relevantes, motivos.

Uma das razões é o endividamento das empresas nacionais em moeda forte, a dificuldade na rolagem desta dívida.

O financiamento interno dos grandes devedores não encontra clima favorável pela prudência dos bancos e dos fundos tomadores de papéis tipo debentures. Comenta-se no mercado da eminência do pedido de recuperação judicial de pelo menos três grandes grupos econômicos.

A falta de possibilidades de um mínimo de credibilidade não poderá vir por simples motivos, estranhamente omitidos na maioria das análises publicadas.

Não haverá investimento pela aversão do governo ao sistema capitalista, que é o vigente formalmente no país. Querem anistiar recursos alocados no exterior pelo medo político, por um lado, e pela gula fiscal, por outro, com crise política de sentido ideológico e a cobrança de altas taxas, ao contrário dos países europeus.

O BNDES já não cumpre desembolsos acertados anteriormente, rasgando, de certa maneira, contratos. A propriedade é ameaçada por taxação sobre patrimônio que não rende, levando famílias ao desespero, com a simples boataria.

No que toca às reformas, nenhuma saiu do papel, inclusive a trabalhista e a fiscal. Os ajustes passaram o ano no vai e vem e Remendos na política, na economia, frases de efeito não podem nem vão surgir efeito.Falta juízo! Sarney, Delfim,Sergio Cabral,por exemplo, seriam boas conversas para a Presidente . Não querem nada e só têm a oferecer.

Os cortes não são percebidos. A gastança continua, o inchaço é ignorado.

O correto ministro Joaquim Levy é desprestigiado. Nada é feito para tornar o país atrativo ao capital externo e à poupança nacional.

Voltou a fuga para moeda forte, que pode acabar em caçada policial. O dinheiro tem medo de intervenções em geral, baderna nas ruas e agressões a direitos adquiridos.

Podemos virar um imenso canteiro de obras inacabadas e abandonadas. Carecemos de governo, de oposição e de forças civis sem comprometimento político, partidário ou ideológico, para tocar o país. E os quadros disponíveis não são do agrado dos governos. Mas temos ilhas de bom senso, como o Rio e São Paulo.