Opinião

Aposentadoria especial


A Democracia se torna disfuncional quando cidadãos sentem que o sistema carrega vícios e que alguns poucos têm acesso a privilégios em detrimento de tantos outros


  Por Marco Bertaiolli 16 de Maio de 2019 às 15:42

  | Deputado Federal e vice-presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp)


Uma sociedade só pode ser considerada democrática em sua essência quando os direitos são iguais e a justiça social é um mantra a ser entoado por todos.

A Democracia em seu estado de governo se torna disfuncional quando cidadãos sentem que o sistema carrega vícios e que alguns poucos têm acesso a privilégios em detrimento de tantos outros. Estamos, neste momento, em Brasília, discutindo a Reforma da Previdência Social e todas as correções que precisam ser feitas para acabar com as distorções que se arrastam há anos e para que o sistema não entre em falência.

Por isso mesmo é necessário que todos tenhamos muita responsabilidade e consciência para que ninguém puxe a sardinha para a sua brasa e deixe o carvão queimando para tantos outros.

Abri mão da minha aposentadoria especial como deputado federal. Assinei um ofício no dia 9 de maio de 2019 e o encaminhei à Direção Geral da Câmara dos Deputados. Ficarei sob o regime previdenciário do INSS para o qual contribuo destes os 14 anos de idade quando comecei a trabalhar com carteira assinada.

Faço isso não para surfar numa onda de exibicionismo. Faço isso com a plenitude da minha consciência e com a certeza de que cada um tem a sua medida de régua. Sou contra algumas mudanças no texto da reforma, como, por exemplo, alterações na aposentadoria dos trabalhadores rurais e no pagamento do benefício especial para os idosos carentes, sem qualquer renda, e às pessoas portadoras de deficiência.

Tantas outras alterações ainda estão em análise e serão, por mim, esmiuçadas sempre sob o cunho da verdade, da justiça social e da responsabilidade a mim imputada por mais de 137 mil eleitores que acreditaram na minha voz e me elegeram representantes de suas vidas.

Somos 513 deputados que representam cerca de 210 milhões de brasileiros, que é a população estimada pelo IBGE para 2019. É só fazer a conta para entender o tamanho da responsabilidade em nossas mãos. Um ato, um voto, e mexemos com a vida de 210 milhões de pessoas. É muita gente, é muita responsabilidade!

É hora de abrirmos mão de paixões partidárias, esquerdistas e direitistas, egos inflados e orgulho pernicioso para que, juntos, possamos melhorar a vida das pessoas. Só vale a pena se for para mudar a vida das pessoas para melhor. A vida é feita de escolhas e todas elas, em maior ou menor escala, têm suas consequências.

Eu fiz a minha lá atrás, quando, aos 20 anos, escolhi estar na vida pública e representar as pessoas que acreditam em mim; que acreditam no que faço, mas principalmente que acreditam no que falo.

Fui criado sob a base de um ditado antigo: a palavra de um homem vale o seu fio de bigode, dizia meu avô. Abrir mão da aposentadoria especial, como disse, não é e nem pretende ser um ato de suprema bondade com o País. Não. É levar para o papel aquilo que carrego como certo dentro de mim.

 

IMAGEM: Agência Brasil

 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio