Opinião

Antes que a nau afunde


A despeito dos bons ventos mundiais, a nau se move a 1%, enquanto seus porões continuam a fazer água pelos rombos da corrupção


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 06 de Março de 2018 às 19:04

  | Historiador


Temos um presidente da República investigado no exercício do mandato, um ex-presidente condenado e a terça parte do Congresso Nacional acuada pela Justiça.

Não obstante isso, a política praticada por esse tipo de políticos continua dando as cartas no País, impondo-se às instituições e à sociedade.

Faz do limão da segurança pública a sua limonada e dá a cereja italiana ao seu delegado questionado pela PGR e STF. Podem cada vez mais, a despeito de serem cada vez menos: confiáveis, dignos e respeitados.

Para onde vamos governados dessa forma?

O Brasil mais parece uma nau desarvorada com mastros quebrados e velas rasgadas pelos maus rumos que escolheu nesses anos de tempestade política e econômica. Para piorar, por todo canto, ratos graúdos roem o cordame social, contaminando tudo com sua peste ideológica.

A despeito dos bons ventos mundiais, a nau se move a 1%, enquanto seus porões continuam a fazer água pelos rombos da corrupção.

No convés morrem 60.000 brasileiros por ano, quase todos vítimas da narcoguerra. No timão, um fantasma. Na popa, um punhado cada  vez menor de bravos defendendo a bandeira que ainda tremula. E ao largo, outras naus esperando o momento de abordá-la e saqueá-la.

Todo mundo sabe que seu casco e cavername são da melhor qualidade, a artilharia é de primeira linha e a tripulação valorosa e disposta aos maiores sacrifícios, até a remar, se preciso for.

Quem sabe, pensam outros capitães, se capturada essa nau, não pode dar bons lucros?

Os que estão na sua ponte de comando se prontificam a qualquer acordo, com quem quer que seja, desde que os beneficie, estando sua salvatagem sempre pronta para leva-los para longe do desastre. Com ou sem dragonas estão todos a serviço do mau capitão.

Afinal, no seu belo camarote tudo se acerta. E quem ousou protestar foi obrigado a andar na prancha para saltar nas águas do esquecimento.

Mas na tolda percebe-se que as coisas vão mal. A insatisfação se propaga às outras cobertas. Os ratos não perdem tempo; propõem o motim. O casco range e as velas batem soltas na derrota mal traçada. Mestres e contramestres se agitam à procura de oficiais que digam o que fazer.

O País está à matroca, não há dúvida.

Há que se salvá-lo dos que o dirigem, enganam e exploram.

Em outubro, há que se tirá-los todos da ponte de comando e do camarote do capitão.  Antes que a nau afunde.

*As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

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