Opinião

Antes de começar


Aqueles que estão no poder não têm o direito de esquecer ou deixar esquecer a ruína econômica, social, moral e ética que o PT trouxe ao Brasil, pois esse “esquecimento” cheirará a mais um conchavo


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 14 de Maio de 2016 às 21:56

  | Historiador


O atual governo do Brasil não é uma solução, é um caminho. E, diante da campanha de descrédito que já sofre, cabe perguntar: há outro caminho? Que não leve o País ao caos e a mais sofrimento?

A pergunta cabe, porque as análises  sobre o novo governo nestas suas primeiras 72 horas aparentam tratar de outro país, e não do Brasil que vive a maior crise de sua história.

A uns parece mais importante atender o politicamente correto, quem sabe com um ministério de cotas, outros clamam por um ministério dos sonhos que não se sabe de onde vai sair, enquanto os antigos detentores do poder, ao mesmo tempo que tratam de embalsamar politicamente a presidente afastada, acusam os seus adversários do fisiologismo que praticaram à larga nesses treze anos.

Parece mesmo que o novo governo não assumiu, recuando a toda hora do que mal fez, buscando compor interesses irreconciliáveis, calando-se inerte enquanto de todos os lados partem ataques a tudo que ele fez até agora, na verdade, nada. Imagine-se quando começar a fazer o que tem que ser feito, inevitavelmente contrariando interesses e em meio à gritaria que vai se elevar.

Jornais que não têm espaços nos seus próprios países para as soluções ideológicas de seus redatores desfiam um rol de mentiras sobre o Brasil que a nossa grande imprensa bovinamente repercute, apesar de dispor de uma rede de correspondentes no estrangeiro e de indiscutível capacidade editorial para contestá-las. Por aqui, um site de notícias chega ao cúmulo de continuar a publicar propaganda oficial com o slogan da administração anterior.

Afinal, quem está no governo?

Se há um novo governo no País, é por que a sociedade brasileira exigiu das instituições e de sua classe política o impedimento da presidente Dilma Roussef, um processo absurdamente lento e complexo, até aqui absurdamente dificultado por personagens que vão criar novos absurdos, não há dúvida, até que se esgote.

Esse novo governo é uma exigência da grande maioria da população e daqueles que estão no poder ela espera que o exerçam. Portanto, há que alertá-los.

Em primeiro lugar, do por quê estarem no poder, que é um fato legal e constitucional, e não um favor ou uma concessão.

Em segundo lugar, que não têm o direito de esquecer ou deixar esquecer a ruína econômica, social, moral e ética que o PT trouxe ao Brasil, pois esse “esquecimento” cheirará a mais um conchavo, de que a sociedade está mais do que farta.

Em terceiro lugar, que o Brasil e suas instituições não podem ser ofendidos por governos estrangeiros que pretendem se imiscuir nos assuntos nacionais ou nos dar lições de democracia que não sabem, devendo-se, no mínimo, convocar os nossos embaixadores nesses países, quando não convocar ao Itamaraty  os  seus representantes em Brasília para conhecerem o desagrado do governo brasileiro.

Finalmente, e o mais importante, que autoridade alguma tem o direito de se deixar atacar e desmoralizar sem dar a resposta à altura que dissipe qualquer dúvida sobre a sua lisura e competência para o exercício do cargo que lhe foi confiado.

Ninguém pode fazer nada disso pelo governo.

A solução como se disse ao início, não está nesse governo, mas no caminho pelo qual ele conduzirá o País. Cabe a ele indicar a direção a seguir, mostrar os obstáculos, reunir vontades e empregar recursos, fazendo o possível e, com certeza, o dito impossível, no marco de um Estado democrático e de Direito, para levar o Brasil à superação dessa crise.

Mas antes de começar a fazer esse caminho, o governo tem que mostrar que é governo. 

Só assim conduzirá o Brasil.

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